Uma reportagem recente no portal UOL mostrou que os projetos do Laboratório de Computação de Alto Desempenho da Universidade Federal do Espírito Santo estão transformando Vitória no novo polo brasileiro de veículos autônomos. Eles vão desde modelos mais simples, como empilhadeiras, até ônibus. O laboratório gerou filhotes que estão envolvidos até no projeto do carro voador desenvolvido pela Embraer.
O laboratório começou em 2007, por iniciativa de professores. Em 2008 criou um sistema de reconhecimento facial que foi considerado o mais eficiente do mundo. Depois, a pesquisa partiu para criar máquinas que interagem com o ambiente, capazes de ler movimentos.
Surgiu então o projeto da IARA, uma sigla em inglês que significa Automóvel Robótico, Inteligente e Autônomo. São veículos sem motorista, capazes não só de seguir os roteiros de aplicativos como o Waze, mas também de mapear o que está ao seu redor.
Esse caso comprova um fator valioso para qualquer economia, a inovação. Ela é essencial para expandir horizontes. Uma economia sem inovação está condenada a ficar a reboque das outras e gerar menos riqueza. Para citar um exemplo conhecido de todos, o agronegócio brasileiro é um sucesso mundial graças à inovação em tecnologia, métodos de colheita, estocagem, logística, etc - boa parte disso graças ao trabalho inicial desenvolvido pela Embrapa a partir da década de 1970. O agro brasileiro é um dos grandes investidores em inovação.
Um dos caminhos para fomentar a inovação são os núcleos de pesquisa nas universidades, públicas e privadas, centros de novas ideias voltados não só para estudos de longo prazo, mas também para o mercado. O apoio do poder público é fundamental para manter as universidades bem aparelhadas, com financiamento e visão de futuro para alguns projetos.
Faz todo sentido aplicar dinheiro arrecadado com um recurso que vai se esgotar, como o petróleo, em pesquisas com potencial de gerar novos ramos de crescimento e de produzir riqueza. Muitos países sofrem do que se chama de ‘Doença Holandesa’, quando se tornam dependentes das exportações de um recurso natural e não diversificam suas economias. No caso do Espírito Santo, corretamente, estamos evitando esse erro.
Um dos pontos positivos da inovação é que ela gera outro fruto importante para a economia, o empreendedorismo. Dois projetos que saíram do Instituto de Inteligência Computacional Aplicada da Ufes geraram duas novas empresas. Uma delas, a Lume, vende veículos autônomos para empresas de mineração, agro e siderurgia; a outra, a motora.ai, usa tecnologia para analisar o comportamento de motoristas, algo que interessa à Embraer em seu projeto de carro voador. Ambas as empresas pertencem a ex-alunos do laboratório.
Hoje, a economia do Espírito Santo é de média complexidade, baseada em commodities. Incentivar o investimento em novos setores de tecnologia é importante para mudar de patamar. Há 80 anos, a China era um país essencialmente agrícola e pobre. Graças a investimentos maciços, hoje é a segunda economia do mundo. É claro que a comparação entre um país e um estado não é perfeita. Mas o que vale é a lição: sempre compensa dar impulso à inovação e investir em tecnologia.