Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Expandir horizontes

Como Vitória está se tornando um polo de inovação

Um dos caminhos para fomentar a inovação são os núcleos de pesquisa nas universidades, públicas e privadas, centros de novas ideias voltados não só para estudos de longo prazo, mas também para o mercado

Publicado em 30 de Outubro de 2024 às 08:48

Públicado em 

30 out 2024 às 08:48
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Há décadas, a economia capixaba gira em torno de agricultura, minério, celulose e do petróleo. São os setores que geram mais empregos, responsáveis pela maior parte do PIB e da arrecadação do Estado. Mas há campos promissores sendo explorados, que mostram nossa capacidade de inovar. Em Vitória, por exemplo, existe um importante centro de tecnologia e inovação que produz veículos autônomos, o futuro do transporte individual, coletivo e de cargas no mundo.
Uma reportagem recente no portal UOL mostrou que os projetos do Laboratório de Computação de Alto Desempenho da Universidade Federal do Espírito Santo estão transformando Vitória no novo polo brasileiro de veículos autônomos. Eles vão desde modelos mais simples, como empilhadeiras, até ônibus. O laboratório gerou filhotes que estão envolvidos até no projeto do carro voador desenvolvido pela Embraer.
O laboratório começou em 2007, por iniciativa de professores. Em 2008 criou um sistema de reconhecimento facial que foi considerado o mais eficiente do mundo. Depois, a pesquisa partiu para criar máquinas que interagem com o ambiente, capazes de ler movimentos.
Surgiu então o projeto da IARA, uma sigla em inglês que significa Automóvel Robótico, Inteligente e Autônomo. São veículos sem motorista, capazes não só de seguir os roteiros de aplicativos como o Waze, mas também de mapear o que está ao seu redor.
Esse caso comprova um fator valioso para qualquer economia, a inovação. Ela é essencial para expandir horizontes. Uma economia sem inovação está condenada a ficar a reboque das outras e gerar menos riqueza. Para citar um exemplo conhecido de todos, o agronegócio brasileiro é um sucesso mundial graças à inovação em tecnologia, métodos de colheita, estocagem, logística, etc - boa parte disso graças ao trabalho inicial desenvolvido pela Embrapa a partir da década de 1970. O agro brasileiro é um dos grandes investidores em inovação.
Um dos caminhos para fomentar a inovação são os núcleos de pesquisa nas universidades, públicas e privadas, centros de novas ideias voltados não só para estudos de longo prazo, mas também para o mercado. O apoio do poder público é fundamental para manter as universidades bem aparelhadas, com financiamento e visão de futuro para alguns projetos.
No caso da Universidade Federal do Espírito Santo, parte do financiamento para o laboratório vem de fundos do governo capixaba para a inovação, mas outra parcela vem da arrecadação de royalties do petróleo. O Espírito Santo é um dos cinco estados a ter constituído um Fundo Soberano, onde guarda para o futuro parte do que arrecada com a exploração do petróleo. O saldo hoje da carteira do Fundo Soberano é de cerca de R$ 1,8 bilhão.
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes Crédito: Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes
Faz todo sentido aplicar dinheiro arrecadado com um recurso que vai se esgotar, como o petróleo, em pesquisas com potencial de gerar novos ramos de crescimento e de produzir riqueza. Muitos países sofrem do que se chama de ‘Doença Holandesa’, quando se tornam dependentes das exportações de um recurso natural e não diversificam suas economias. No caso do Espírito Santo, corretamente, estamos evitando esse erro.
Um dos pontos positivos da inovação é que ela gera outro fruto importante para a economia, o empreendedorismo. Dois projetos que saíram do Instituto de Inteligência Computacional Aplicada da Ufes geraram duas novas empresas. Uma delas, a Lume, vende veículos autônomos para empresas de mineração, agro e siderurgia; a outra, a motora.ai, usa tecnologia para analisar o comportamento de motoristas, algo que interessa à Embraer em seu projeto de carro voador. Ambas as empresas pertencem a ex-alunos do laboratório.
Hoje, a economia do Espírito Santo é de média complexidade, baseada em commodities. Incentivar o investimento em novos setores de tecnologia é importante para mudar de patamar. Há 80 anos, a China era um país essencialmente agrícola e pobre. Graças a investimentos maciços, hoje é a segunda economia do mundo. É claro que a comparação entre um país e um estado não é perfeita. Mas o que vale é a lição: sempre compensa dar impulso à inovação e investir em tecnologia.

Rafael Furlanetti

Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 18/04/2026
Editais e Avisos - 18/04/2026
Luiz Felipe Azevedo, capixaba e ex-jogador da Seleção Brasileira de basquete
Parceiro olímpico, Luiz Felipe lembra da importância de Oscar para o basquete capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados