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Economia

Alta da bolsa e crescimento econômico: credibilidade é a chave

A economia do país funciona como a sua finança pessoal: se você não fizer um controle de gastos x despesas, vai se endividar. A geladeira pode até estar cheia, mas a despesa está indo para o cartão de crédito - e isso tem prazo de validade

Públicado em 

04 fev 2026 às 04:45
Rafael Furlanetti

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Rafael Furlanetti

Economistas e profissionais do mercado fazem projeções, mas algumas vezes são surpreendidos por uma realidade melhor que a esperada. Em janeiro, investidores estrangeiros despejaram mais de R$ 20 bilhões no mercado brasileiro, o que fez a bolsa subir e o dólar cair ao menor nível desde 2024. Na semana passada, o Banco Central sinalizou que vai começar a reduzir a taxa de juros em março. São boas notícias para todos nós.
Vou começar pelos juros. O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou que na próxima reunião vai fazer a primeira redução em mais de um ano. O Banco Central atingiu um nível de credibilidade muito grande com os investidores locais e internacionais depois que a atual direção, que assumiu no ano passado, resistiu a pressões políticas para baixar os juros quando não podia, com a inflação em alta.
Agora, com a inflação dentro da margem da meta, O BC ganhou confiança e apoio do mercado para começar o ciclo de queda dos juros. Há expectativa no mercado de uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic em março. Mas o BC é técnico e cauteloso, tem de deixar uma porta aberta, porque não sabe se vai surgir uma nova guerra no mundo, que pode causar impacto na inflação, se algum dado fiscal virá pior, coisas assim.
Na semana passada, a gente viu o dólar cair e a bolsa brasileira se valorizar muito. Isso está acontecendo porque o dinheiro adicional do mundo não está indo para os Estados Unidos, e sim para mercados emergentes. Quando os investidores estrangeiros olham os emergentes, eles enxergam no Brasil um país com produtos como ferro, ouro, petróleo, um grande mercado consumidor com mais de 200 milhões de pessoas e uma bolsa barata. Essa alta da bolsa é devido a isso, à grande entrada de investidores estrangeiros comprando ações.
Você vai me perguntar: com isso, a bolsa já subiu tudo o que tinha para subir? O Brasil tem hoje cerca de R$ 15 trilhões aplicados em CDI, títulos remunerados com base na Selic, que rendem quase 1,75 trilhão por ano. Imagina se um percentual desse dinheiro fosse investido em bolsa. Pense comigo: há um fluxo dos estrangeiros comprando ações, e os juros estão caindo no Brasil e nos Estados Unidos. Eu diria que temos um cenário favorável para a bolsa.
Mas, mesmo com a queda da taxa Selic, o juro real seguirá muito alto. Se as projeções se confirmarem e o Banco Central reduzir a Selic até 12,5% no final do ano, o juro real, aquele que é a taxa Selic menos a inflação, ficará na casa dos 8%. Ainda é muito elevado. Isso acontece porque o Brasil precisa fazer o dever de casa e ganhar credibilidade também no âmbito fiscal, promover reformas econômicas para cortar gastos e reduzir o crescimento da dívida pública.
A economia do país funciona como a sua finança pessoal: se você não fizer um controle de gastos x despesas, vai se endividar. A geladeira pode até estar cheia, mas a despesa está indo para o cartão de crédito - e isso tem prazo de validade.
Por isso, é muito importante ficarmos atentos a pautas econômicas que proponham reformas capazes de reduzir a dívida pública. Só assim poderemos ter juros mais baixos, condições para os empresários empreenderem, mais crescimento da economia e benefícios para todos.

Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espírito Santo

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