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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"Peçanha Contra o Animal" é bom policial besteirol do Porta dos Fundos

"Peçanha Contra o Animal", da Amazon Prime Video, é o segundo longa-metragem do Porta dos Fundos. Filme acompanha o policial vivido por Antonio Tabet

Vitória
Publicado em 22/10/2021 às 16h26
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Filme "Peçanha Contra o Animal". Crédito: Amazon Prime/Divulgação

No início da década de 2010, antes mesmo da criação do Porta dos Fundos, Antonio Tabet vivia um policial nas esquetes “CSI Nova Iguaçu”, produzidas pelos portais Kibe Loco e Anões em Chamas, precursores do Porta e do humor roteirizado em vídeo na internet brasileira - os vídeos ainda podem ser encontrados no YouTube. O tal personagem migrou para o novo canal, se tornou recorrente e ganhou nome, Peçanha.

Peçanha se tornou uma instituição das esquetes do Porta dos Fundos e agora ganha um filme, “Peçanha Contra o Animal”, que chega nesta sexta (22), à Amazon Prime Video. O segundo longa-metragem do canal tem direção de Vinicius Videla e roteiro do próprio Tabet.

“O filme do Peçanha é muito diferente do ‘Contrato Vitalício’ (primeiro filme do Porta). Ele fica entre ser um longa e ser um especial do personagem, não tem pretensão de ganhar um Oscar ou um Kikito. Quando escrevi, a intenção era rir e fazer rir”, afirmou Tabet na entrevista de divulgação do filme.

O ator/roteirista diz que o público do canal já vinha pedido mais conteúdo do Peçanha, um personagem que foi aos poucos ganhando conteúdo, personalidade e um novo parceiro, o Mesquita vivido por Pedro Benevides. “O Peçanha é um mito e o Mesquita é um cara que existe para valorizá-lo. O Kibe (Tabet) é o Peçanha do meu Mesquita mesmo (risos)”, brinca o ator.

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Filme "Peçanha Contra o Animal". Crédito: Amazon Prime/Divulgação

“Peçanha Contra o Animal” traz o humor característico do Porta dos Fundos, mas também abre novos horizontes para um estilo de besteirol pouco explorado pelo grupo. As referências mais óbvias, até pelo tema, são de filmes como “Corra Que a Polícia Vem Aí” ou “Loucademia de Polícia”. A abertura do filme é digna de um “CSI Nova Iguaçu”, com os policiais na cena do crime para identificar um corpo (Totoro, como nas esquetes). E a partir daí que o filme se desenrola, com a atuação do serial killer apelidado de Animal em Nova Iguaçu e a investigação de Peçanha e Mesquita motivada pela repercussão das mortes na imprensa.

Em diversos momentos, o filme passa a impressão de ser uma sequência de esquetes amarradas, mas isso nunca incomoda de fato. Com a história de certa forma simples e até de fácil previsão, o filme corretamente se preocupa mais em fazer rir do que em fazer sentido. É muito bom perceber que Tabet e cia. oferecem um cardápio cômico variado - da mais pura escatologia, tratada com a maior normalidade do mundo, à interessante forma como Peçanha é construído, um retrato de um Brasil contemporâneo, mas também um ignorante disposto a aprender.

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Filme "Peçanha Contra o Animal". Crédito: Amazon Prime/Divulgação

“Peçanha é um policial incompetente, com um pé na corrupção e vários vícios horrorosos. Ele é machista, racista e homofóbico, mas já entende que isso é errado. Ele tenta consertar isso, mas acaba levando pra maneira torta dele resolver as coisas”, explica Tabet, ante de completar: “ele mostra o pior do melhor brasileiro. É um cara péssimo, mas que tenta melhorar. Tem um em cada esquina da zona Oeste (do Rio de Janeiro) e tem até alguns em carto de poder em Brasília”.

A ideia do texto parece ser justamente levar a caricatura ao extremo, ao ponto que até as pessoas que pensam e agem como o Peçanha se enxerguem de forma um pouco ridícula. Ainda assim, essa vontade que o personagem tem de aprender já é um alento - se até o mais brucutu pode aprender, por que você não poderia?

O roteiro tem boas piadas na dinâmica entre Tabet e Benevides, mas também nos coadjuvantes como Rafael Portugal e Evelyn Castro e nas aparições especiais de personagens de Rafael Infante, Thati Lopes, Totoro e até Valesca Popozuda - o filme recompensa o público do Porta dos Fundos com personagens recorrentes e algumas surpresas, mas não depende disso para sua narrativa.

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Filme "Peçanha Contra o Animal". Crédito: Amazon Prime/Divulgação

“Peçanha Contra o Animal” é eficaz no que se propõe a ser, um policial besteirol que garante algumas boas risadas e uma diversão descompromissada, um filme no qual os atores parecem ter se divertido bastante durante as filmagens.

“O fato de o Peçanha existir já é uma crítica. Tem frases que ele fala que estão em cartazes de manifestações na rua. Quando você vê essas falas no filme, em personagens de humor, você vê o quão é ridículo isso. Queria fazer uma coisa que é bem besteirol, leve, mas que existe uma sátira, uma irreverência em relação ao que a gente vive”, diz Tabet. É interessante ver como o texto brinca com a expectativa criada com a personalidade do personagem em uma das grandes viradas do filme, mas depois brinca com a expectativa do público ao quebrá-la de maneira natural, quase como se expondo o nosso preconceito.

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