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Crítica

"Pacificador": série da HBO Max é o que há de melhor no universo DC

Dirigida e escrita por James Gunn ("Guardiões da Galáxia"), "Pacificador" é uma divertida e violenta história de um herói improvável

Publicado em 14 de Janeiro de 2022 às 01:39

Públicado em 

14 jan 2022 às 01:39
Rafael Braz

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Rafael Braz

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Quando foi afastado da Marvel/Disney e do comando de “Guardiões da Galáxia 3” por uma série de tuítes antigos com piadas de mau gosto, James Gunn não demorou para receber o convite da maior rival, a DC/Warner, que lhe prometeu carta branca para o projeto que escolhesse assumir. Gunn, curiosamente, optou por um filme do Esquadrão Suicida, equipe cujo filme anterior, lançado em 2016, é um dos piores filmes adaptados de quadrinhos até hoje.
O “Esquadrão Suicida” dirigido por Gunn, disponível na HBO Max, é um dos filmes mais legais de 2021. Mais ou menos ignorando o filme de 16, o cineasta criou um filme de ação com humor absurdo e até com um teor político sobre a atuação dos EUA nas ditaduras da América Latina. A crítica adorou, mas com um mercado de cinema ainda cheio de dúvidas devido à pandemia, e com o lançamento simultâneo na HBO Max nos EUA, a bilheteria foi apenas razoável. Felizmente, isso não impediu que Gunn pudesse continuar criando naquele universo.
“O Pacificador”, que chegou À HBO Max quinta-feira (13), segue o personagem título após os acontecimentos do filme do ano passado. Interpretado por John Cena, o Pacificador não é um personagem inicialmente fácil - sua máxima é manter a paz a qualquer custo, não importa quantas pessoas ele tenha que matar para isso. Como mostrado nas cenas pós-créditos do filme, o personagem foi resgatado e incluído no Projeto Borboleta, outra missão secreta do time comandado por Amanda Waller (Viola Davis).
Os três primeiros episódios de “Pacificador” servem para tornar o personagem-título mais agradável. O recurso utilizado por James Gunn, que escreveu e dirigiu os episódios, é bem similar ao que “Cobra Kai” fez com Johnny Lawrence, ou seja, ridicularizar um comportamento e vender o personagem como fruto de um ambiente tóxico. As semelhanças com o personagem de William Zabka no derivado de “Karate Kid” também passam pelo gosto da música e da estética do hard rock farofa oitentista.
Série
Série "Pacificador", da HBO Max Crédito: HBO Max/Divulgação
 "Esquadrão Suicida" já trazia o Pacificador como um alívio cômico, mas a série se aprofunda nesse aspecto. John Cena, um ex-lutador de WWA, obviamente funciona no papel de um personagem com imposição física, mas ele também se mostra vulnerável e ingênuo, um cara cheio de marcas de seu passado e até com uma certa dose de culpa.
A série cria seu humor na dinâmica do protagonista com outros personagens. Sua nova equipe é formada por agentes que ajudaram o Esquadrão em Corto Maltese e que acabaram “rebaixados” por isso. Os diálogos são sempre afiados, seja em zoações com Economos (Steve Agee), em flertes do Pacificador com Emilia Harcorut (Jennifer Holland) ou nas conversas com o sociopata Vigilante (Freddie Stroma), seu mais antigo amigo humano, pois sua águia, obviamente, é sua amiga mais leal.
Série
Série "Pacificador", da HBO Max Crédito: HBO Max/Divulgação
“Pacificador” pode ser bobo em excesso em alguns momentos, mas essa é exatamente a ideia da série. Em meio à amenização do discurso e das piadas intencionalmente ultrapassadas, o roteiro de James Gunn navega por caminhos mais próximos ao de “The Boys”, por exemplo, com uma ainda pouco explorada trama de supremacistas brancos.
É interessante como a série retorna a diálogos de “Esquadrão Suicida” sem utilizar flashbacks como recurso. No filme, o Pacificador e o Sanguinário (Idris Elba) conversam sobre o que os levou a se transformarem em máquinas de matar. Agora, na série, conhecemos o pai do primeiro, interpretado por Robert Patrick, e entendemos como a relação dos dois é complicada - o protagonista, um sujeito intimidador, parece encolher diante do pai.
Série
Série "Pacificador", da HBO Max Crédito: HBO Max/Divulgação
“Pacificador” obviamente não tem o nível de produção técnica dos filmes da DC, mas o texto quase nunca requer grandes efeitos especiais. Ao mesmo tempo, a série da HBO Max é muito mais bem produzida do que as DC/CW, com coreografias razoáveis e ótimas atuações que caminham entre o se levar a sério demais e a completa sátira.
James Gunn prova ser um dos grandes cineastas autorais dentro desse universo de histórias em quadrinho, um diretor capaz de reerguer uma marca como “Esquadrão Suicida” e ainda expandi-la com uma linguagem própria que em nada lembra os outros produtos da DC/Warner.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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