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Crítica

"Amor e Monstros", na Netflix, é boa aventura com cachorro e coração

"Amor e Monstros", filme de ficção científica lançado pela Netflix, mistura gêneros e influências para criar uma aventura interessante e original

Publicado em 13 de Abril de 2021 às 23:04

Públicado em 

13 abr 2021 às 23:04
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz Rafael Braz
Filme
Filme "Amor e Monstros" Crédito: Jasin Boland/Netflix
Poucos títulos são mais explicativos do que “Amor e Monstros”. Planejado para ser lançado nos cinemas em 2020, o filme de Michael Matthews foi mais uma vítima da Pandemia e acabou lançado no streaming nos EUA, ainda aguardando um lançamento internacional nos cinemas, o que não aconteceu. A aventura de ficção científica protagonizada por Dylan O’Brien chega à Netflix no Brasil e em diversos outros mercados entregando justamente o prometido pelo título, uma história de amor recheada de monstros.
Seguindo à risca a fórmula de filmes pós-apocalípticos, “Amor e Monstros” se parece até demais com “Zumbilândia”, mas com ameaças maiores. O texto de Brian Duffield (“Ameaça Profunda”) e Matthew Robinson (“Dora e a Cidade Perdida”) substitui zumbis por criaturas mutantes gigantes e muito ameaçadoras que tomaram conta do mundo após fragmentos radioativos de um cometa caírem na terra e modificar geneticamente todas as criaturas de sangue frio e insetos, relegando a humanidade a esconderijos subterrâneos.
Sete anos depois do apocalipse monstro, Joel (O’Brien) vive numa comunidade na qual é o único solteiro e nem sequer tem uma função definida, ele apenas está lá e passa dias tentando se comunicar com outros abrigos a fim de encontrar Aimee (Jessica Henwick), sua namorada dos tempos de escola - eles foram separados justamente no dia do apocalipse. Quando ele finalmente consegue se comunicar com ela, decide deixar seu abrigo para encontrá-la, mas, para isso, terá que se aventurar a céu aberto por cerca de 140km e enfrentar diversos monstros pelo caminho.
“Amor e Monstros” em muito lembra filmes de aventura dos anos 1980 e 90, com texto esperto, um pouco de encantamento pela história e um protagonista carismático em uma clássica jornada do herói. O roteiro coloca Joel em contato com um simpático cachorro, que logo se torna seu companheiro de viagem, e com a dupla formada pelo veterano Clyde (Michael Rooker) e pela jovem Minnow (Ariana Greenbath), com quem Joel aprende regras de sobrevivência naquele mundo e informações sobre cada uma das criaturas mutantes.
Filme
Filme "Amor e Monstros" Crédito: Jasin Boland/Netflix
É interessante percebermos que Joel, por um lado, e Clyde e Minnow, do outro, parecem protagonizar filmes diferentes que se encontram em determinado momento. Enquanto a dupla vive uma aventura de sobrevivência naquele universo, o protagonista só quer encontrar sua amada e, claro, se descobrir durante a jornada. Esse contraste oferece uma dinâmica interessante nas cenas em que dividem a tela e, consequentemente, nos arcos que protagonizam.
Apesar de ser um roteiro original, o lançamento da Netflix não é tão inovador assim em sua essência. Há influências claras de obras como “Eu Sou a Lenda” (2007), “Conte Comigo” (1984), além do já citado “Zumbilândia”, mas “Amor & Monstros” se destaca na ambientação e na criação do universo. O mundo é apresentado para o espectador a partir de desenhos de Joel e de sua narrativa - como ele conhece pouco ou quase nada do mundo exterior, vamos conhecendo tudo junto com o protagonista.
Filme
Filme "Amor e Monstros" Crédito: Jasin Boland/Netflix
Indicado ao Oscar de Melhor Efeitos Visuais, “Amor & Monstros” cria um universo hostil e sempre perigoso. Os monstros possuem um visual criativo, o que confere identidade própria a cada um deles mesmo quando há um exegero de computação gráfica - mesmo com algumas falhas, a qualidade impressiona para um filme de “baixo” orçamento (US$ 30 milhôes).
“Amor & Monstros”, ao final, até é capaz de surpreender em seu terceiro ato. O filme faz um ótimo trabalho ao navegar por diferentes gêneros em diferentes atos - o início é mais tenso, o desenvolvimento, mais aventuresco, e a conclusão ganha uma carga dramática que talvez não fosse esperada de um filme voltado para a fantasia.
O filme protagonizado por Dylan O’Brien teria funcionado bem nos cinemas como uma possível franquia criada do zero. Com narrativa enxuta e sempre em movimento, “Amor & Monstros” mostra ser possível fazer cinema de aventura de ficção científica partindo do zero, sem a necessidade de adaptar um material já existente ou criar um universo compartilhado.

Rafael Braz

Rafael Braz Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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