Infelizmente me machuquei. Saindo para o terceiro ciclo de aclimatação, por volta das 3h30 da madrugada, escorreguei nos cascalhos congelados que tem pelo caminho e caí. Fraturei uma costela e também a lombar. Na hora eu já soube que não poderia continuar e voltei para minha barraca no acampamento base. Senti uma dor enorme. À tarde foram me levar no pronto-socorro do acampamento, mas eu não conseguia me levantar. Tiveram que me levar de maca.
Já estou medicado, melhorei bastante. Ontem mesmo já ficava de pé. Hoje já consegui fazer um treino de duas horas e as coisas começam a melhorar. É claro que eu ainda sinto dor, a costela ainda dói e a lombar está um pouco travada. Conversei com o Mike (coordenador) e nós fizemos um calendário de atividades nos próximos dias. Se eu conseguir cumprir, a gente consegue refazer os planos de ataque ao cume. caso não consiga, vou ter de voltar para casa.
Eu olho nos olhos das pessoas aqui e vejo que elas não acreditam muito. Eu mesmo vejo no espelho e também fico na dúvida, mas quando vejo com os olhos da fé, eu então eu acredito com todo meu coração. Juliana, minha esposa, acredita, e meus filhos também acreditam.
Não se trata de esperança ingênua não, pois sei muito bem das dificuldades na recuperação. Estou preparado para o que der e vier. Sinto que o jogo ainda não acabou, a bola ainda está rolando e tenho melhorado a cada dia. Amanhã (sábado), vou ao highcamp (acampamento) do Pumori. Se der certo, continuo. Caso não, acaba minha aventura. Depois de amanhã (domingo), vou ao Kala Patthar.
E assim será dia após dia, até o final de maio. Eu continuo firme, feliz e grato a deus por essa oportunidade maravilhosa. Enquanto houver chance, continuo lutando.