De acordo com dados do Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo, o ano de 2025 foi marcado por 625 ocorrências sobre maus-tratos a animais. Em meio a esse cenário e a necessidade do fortalecimento de políticas públicas que protejam os pets, a Rede Gazeta fortaleceu o debate sobre a causa animal em mais uma edição do Diálogos, reunindo representantes do poder público, especialistas e agentes da causa para discutir avanços e, principalmente, os próximos passos.
Com mediação da jornalista Cláudia Gregório, o painel recebeu Felipe Rigoni, secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo; Janete de Sá, deputada estadual e presidente da Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal; Leandro Piquet, delegado do Núcleo de Proteção aos Animais da Polícia Civil do Espírito Santo; e Gabriela Maia, advogada especialista em direito animal e fundadora da DABRA - Direito Animal Brasil.
O encontro ainda contou com vacinação gratuita para pets no estacionamento do antigo parque gráfico da Rede Gazeta, em Bento Ferreira. A iniciativa, que aconteceu com parceria do Governo do Estado por meio da carreta Pet Viver, ofereceu a vacina V8 para cães, a V4 para gatos e a vacina antirrábica. Ao todo, 130 pets foram vacinados.
À frente da Secretaria de Meio Ambiente (Seama), Rigoni destacou que o tema deixou de ser periférico para se tornar estratégico. Segundo ele, o Estado estruturou, nos últimos anos, seu primeiro programa voltado ao bem-estar animal, com resultados expressivos.
Felipe Rigoni
Secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo
“Já realizamos mais de 17 mil castrações desde o início da campanha e mais de 30 mil vacinações, além de uma série de procedimentos. Cuidar dos animais é também cuidar das pessoas, e esse avanço só é possível com a participação ativa da sociedade civil”
No campo legislativo, a deputada estadual Janete de Sá ressaltou a evolução das políticas públicas ao longo das últimas décadas já que, de um cenário praticamente inexistente até os anos 2000, o Estado passou a construir um arcabouço legal voltado à proteção animal.
Entre os destaques estão o avanço de programas estruturantes e a proposta de criação de um sistema unificado de saúde animal nos moldes do Sistema Único de Saúde, que inclui hospitais, farmácias veterinárias e políticas integradas de controle populacional.
Janete de Sá
Deputada estadual e presidente da Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal
“A ideia é deixar de ser reativo e passar a prevenir os problemas, com políticas contínuas e estruturadas”
A atuação no combate aos maus-tratos também ganhou destaque no evento. Responsável pelo Núcleo de Proteção aos Animais da Polícia Civil há pouco mais de um ano, o delegado Leandro Piquet apontou um aumento significativo nas denúncias, reflexo de uma maior confiança da população.
Leandro Piquet
Delegado do Núcleo de Proteção aos Animais da Polícia Civil do Espírito Santo
“O número de denúncias em 2026 já aumentou em praticamente 50% se comparado ao ano de 2024 a 2025. Não temos dúvidas que somos referência nacional no combate aos maus tratos, tanto que temos o recorde de soluções de inquéritos policiais no ano passado, o recorde de prisões e o recorde de resgate de animais, com mais de 600 vidas resgatadas só em 2025”
Apesar dos avanços, a estrutura ainda precisa acompanhar o crescimento da demanda. Um dos desafios, segundo o delegado, é organizar a atuação da sociedade civil e padronizar processos, como adoções responsáveis, para fortalecer a rede de proteção e dar mais segurança jurídica às ações.
Sobre isso, a partir do ponto de vista legal, a advogada e fundadora da DABRA - Direito Animal Brasil, Gabriela Maia, avalia que o Brasil vive um momento de consolidação jurídica da causa animal.
Gabriela Maia
Advogada especialista em direito animal e fundadora da DABRA - Direito Animal Brasil
“Cada vez mais os animais estão sendo reconhecidos na legislação, com códigos de proteção e programas específicos. Mas ainda precisamos ampliar a efetividade dessas leis”
Assim como em outras áreas sociais, o consenso entre os participantes é que o futuro da causa animal passa, inevitavelmente, pela integração entre poder público, sociedade civil e legislação. O caminho, que já começou a ser trilhado, ainda exige continuidade, investimento e, sobretudo, engajamento coletivo.
"A carreta Pet Viver faz parte de um programa grandioso e que precisa ser consolidado por ser muito novo - foi iniciado em 2025 e está em seu segundo ciclo. Precisamos consolidar esse programa que está criando uma cultura de controle e de bem-estar do animal dos animais no Espírito Santo", finalizou Janete.
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