A jornalista Mariana Perini e o time de conteúdo do Estúdio Gazeta trazem as novidades do mercado publicitário e da comunicação, com cases e tendências que se destacam dentro e fora do Estado.

Todas Elas reforça rede de apoio e aponta caminhos no combate à violência contra mulher

No mês da mulher e para marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, a Rede Gazeta reuniu ativistas, líderes e empresárias em evento para promover reflexões sobre os primeiros sinais de um relacionamento abusivo

Auditório lotado para a primeira edição do Todas Elas de 2026
Auditório da Rede Gazeta ficou lotado para a primeira edição do Todas Elas de 2026. Crédito: Arthur Louzada

Duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, o Brasil ainda convive com uma realidade que insiste em se repetir. Ainda são muitas as mulheres que sofrem, diariamente, diferentes formas de violência – muitas delas invisíveis, por meio de palavras, controle e privação de liberdade. Em um cenário que exige mais do que indignação, mas atitudes, o debate ganha força como ferramenta de transformação.

Pensando nisso, a Rede Gazeta recebeu, nesta quarta-feira (18), a primeira edição de 2026 do projeto Todas Elas, iniciativa que, ao longo de seis anos, vem se consolidando como espaço de diálogo, informação e mobilização em torno do enfrentamento à violência contra a mulher. Com a presença de líderes, ativistas e empresárias, o encontro evidenciou um movimento contínuo de articulação entre poder público, iniciativa privada, imprensa e sociedade civil.

O momento contou com a presença da jornalista e apresentadora do Bom Dia Brasil, Ana Paula Araújo, que também realizou o lançamento oficial no Espírito Santo de seu livro “Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil. Também participaram do debate a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes; a gerente de Relações Institucionais do Sebrae/ES, Alline Zanoni; e a delegada-chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Claudia Dematté. A mediação ficou por conta da jornalista e gerente-executiva de Produto Digital da Rede Gazeta, Elaine Silva, uma das idealizadoras do projeto Todas Elas, e a apresentação foi realizada pela apresentadora do Gazeta Meio Dia, Rafaela Marquezini.

Abrindo o bate-papo, Ana Paula Araújo, destacou o papel da informação na transformação social, pois, com base na experiência de anos cobrindo casos de violência, o número de casos subnotificados segue sendo preocupante. 

Jornalista Ana Paula Araújo destacou a importância da informação no combate à violência
Jornalista Ana Paula Araújo destacou a importância da informação no combate à violência. Crédito: Arthur Louzada

Ana Paula Araújo

Apresentadora do Bom Dia Brasil

"Os números já são alarmantes, mas ainda não mostram toda a realidade. Há muitas mulheres que não denunciam, especialmente em classes sociais mais altas. Então, apesar desses números absurdos que a gente vê, há muito mais do que isso. O Todas Elas é um espaço incrível para a gente trazer essa conscientização para as mulheres."

Na sequência, a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, ressaltou a importância da presença do poder público em iniciativas como o Todas Elas, já que espaços de diálogo qualificado contribuem diretamente para a construção de políticas públicas mais eficazes.

Jacqueline Moraes compartilhou sua trajetória e destacou a importância de eventos como o Todas Elas
Jacqueline Moraes compartilhou sua trajetória e destacou a importância de eventos como o Todas Elas. Crédito: Arthur Louzada

Jacqueline Moraes

Secretária de Estado das Mulheres

"As mulheres precisam reconhecer os sinais da violência no início. A denúncia dessas atitudes evita com que essa mulher que está sofrendo seja vítima de uma violência ainda mais grave e mais assombrosa, que é o feminicídio."

O olhar para a autonomia feminina também ganhou destaque. A gerente de Relações Institucionais do Sebrae/ES, Alline Zanoni, reforçou que a independência financeira pode ser decisiva para romper ciclos de violência, possibilitando que as vítimas saiam de lares abusivos e não dependam da renda de seus abusadores, fator usado como ferramenta de manipulação e manutenção da violência doméstica.

Alinne Zanoni compartilhou a importância do empreendedorismo na retomada da vida de mulheres vitímas de violência doméstica
Alline Zanoni compartilhou a importância do empreendedorismo na retomada da vida de mulheres vitímas de violência doméstica. Crédito: Arthur Louzada

Alline Zanoni

Gerente de Relações Institucionais do Sebrae/ES

"O empreendedorismo resgata a autoestima, devolve a renda e ajuda a mulher a se reposicionar no mercado e na vida. Programas com o Sebrae Delas trabalham não só as competências técnicas, mas também as competências comportamentais, para que essa mulher consiga empreender e tenha condições de ir para o mundo do trabalho novamente."

Encerrando esse eixo de discussões, a delegada-chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Claudia Dematté, trouxe um alerta sobre a escalada da violência. Segundo a delegada, os primeiros sinais costumam ser sutis, mas não devem ser ignorados.

Claudia Dematté destacou canais para denúncia e ferramentas de proteção para as vítimas
Claudia Dematté destacou canais para denúncia e ferramentas de proteção para as vítimas. Crédito: Arthur Louzada

Claudia Dematté

Delegada-chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher

"A violência não começa com agressão física. Ela começa com humilhações, controle e evolui para ameaças, podendo chegar ao feminicídio."

Claudia também reforçou que a denúncia precoce e o acesso à rede de apoio são essenciais para interromper esse ciclo. Um canal de denúncias é o Disque 180, para entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher, ou procurar uma das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, que contam com os endereços disponíveis no site da Sesp

Do ponto de vista institucional, dentro da própria Rede Gazeta, o projeto é visto como uma extensão do papel social do jornalismo. A jornalista e gerente de Produto Digital, Elaine Silva, que também é uma das idealizadoras do projeto, lembrou que a iniciativa nasceu durante a pandemia e hoje vai além da produção de conteúdo, criando conexões e redes de apoio. 

Elaine Silva destacou o lançamento da comunidade Todas Elas no Whatsapp como forma de empoderamento feminino
Elaine Silva destacou o lançamento da comunidade Todas Elas no Whatsapp como forma de empoderamento feminino. Crédito: Arthur Louzada

A novidade deste ano, inclusive, é o lançamento de uma comunidade no WhatsApp, com a proposta de ampliar o alcance e a troca entre mulheres no dia a dia. Lá, as participantes poderão trocar experiências e fortalecer uma rede de apoio, com compartilhamento de vagas de emprego e oportunidades. 

“Na comunidade, que está presente no WhatsApp, vamos ter uma troca diária com as mulheres e com as embaixadoras do Todas Elas, sendo uma rede de apoio. Queremos zerar o feminicídio e sabemos que só por meio da educação, do conhecimento e da informação isso é possível”, ressaltou Elaine.

Para encerrar, as painelistas foram convidadas a refletir sobre o verbo “esperançar” dentro do tema do encontro. O termo, cunhado pelo educador Paulo Freire, propõe transformar a esperança em ação concreta e, para Ana Paula Araújo, esse movimento passa, sobretudo, pela educação.

"As escolas tem um papel fundamental e a educação contra a violência deve começar na base, mas não podemos esperar por essa geração que ainda vai crescer. Precisamos partir desde já para uma educação, para uma desconstrução narcisista, entre todas as áreas e setores”, finalizou.

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