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"Funk é cultura", diz Matheus Mazzafera, fenômeno dos famosos

Apresentador, conhecido como "o amigo das celebridades", também usa seus milhões de seguidores no Instagram e YouTube para militar em prol da causa LGBT+ e quer dar espaço às novas formas da arte

Publicado em 18/02/2020 às 07h00
Atualizado em 18/02/2020 às 07h00
O apresentador Matheus Mazzafera. Crédito: Mateus Valentim
O apresentador Matheus Mazzafera. Crédito: Mateus Valentim

Em novembro do ano passado Matheus Mazzafera criou o que chamamos, agora, de o primeiro reality de funk do Brasil em seu canal do YouTube, que conta com quase 6 milhões de inscritos. Os vídeos, separados em episódios - como acontece nos programas de TV -, têm até mais de 890 mil visualizações e contam a história de várias figuras que movimentam a cena cultural do gênero. 

Mas não é de hoje que o bonito começou a militar nas redes usando todos seus milhões de fãs de forma consciente. A coluna mesmo acompanha as produções dele há algum tempo e nas centenas de vídeos que já produziu, com celebridades que vão de Anitta à atual "BBB 20Rafa Kalimann, Matheus sempre busca incluir temas que julga necessários pôr em debate. 

Matheus Mazzafera

Apresentador

"Eu quero sempre dizer que o amor venceu"

Em bate-papo exclusivo, o artista, que comentou o tapete vermelho do Oscar 2020 na noite deste domingo (9), pela TNT, também discutiu sobre sua atual onda de sucesso, entregou os planos para a carreira em 2020 e ainda disse que tem vontade de conhecer o Espírito Santo e, é claro, o crescente Carnaval de Vitória

Em novembro de 2019 você lançou nas redes um reality de funk. Qual é a proposta dessa produção?

Meu propósito é enaltecer os talentos do Brasil, e não só dos homens, mas das mulheres também. Acredito que o funk é um gênero musical que sempre esteve (ainda é) carregado de preconceito, mas o que devemos olhar é para a história, as raízes, as vivências. E essas questões estão todas ligadas ao funk, estilo musical que jamais pode deixar de ser classificado como parte da nossa cultura. Porque é uma forma de expressão, é militância, é gerador de oportunidades, é a vida de muitos. Então tudo que tem um legado é cultura, e sobre isso que este reality também fala.

Você acha que os homens nesse universo têm menos vez? Ou são menos favorecidos?

Acho que todos quando vamos em busca de um sonho enfrentamos obstáculos, que servem para nos fazer refletir se o que queremos é realmente o que imaginamos para uma vida toda. Então acho que com os homens não é diferente, porém vejo que muitas portas se abrem quando temos determinação. E no universo do funk também vemos bastante meninos. Costumo dizer que às vezes podemos não ter a oportunidade, mas e se a criarmos?

Tem quase 6 milhões de inscritos só no YouTube e seus vídeos colecionam centenas de milhares de plays. A que atibui esse sucesso?

O sucesso é a consequência de um trabalho feito com dedicação e amor. Nas minhas entrevistas costumo falar um pouco do início, porque relembrar esta caminhada me enche de orgulho e gratidão. Olho para trás e vejo quantas coisas foram precisas para chegar até aqui, e ninguém chega ao topo de uma montanha correndo, não é mesmo? E comigo foi também um passo de cada vez; o canal surgindo aos poucos, eu pensando como seria tudo isso, até que fui me apaixonando, investindo energia e tempo, e hoje sou um dos maiores canais do país, com realitys, talks, e outras diversas abordagens. Meu canal já passou por muitas adaptações, reformulações, e segue sendo muito bem querido pelo público. Acredito que se reinventar e ouvir quem te assiste faz muita diferença para um trabalho eficaz no dia a dia. Meus fãs também são responsáveis por essa consolidação.

Há algum tempo também se falou sobre sua militância no universo LGBT+. Você se considera militante? Qual é o trabalho que faz hoje em dia em torno desse tema?

Acredito que a gente vá, ao longo da vida, se identificando com causas, e a minha comunidade LGBTQIA+ é, sem dúvidas, minha maior bandeira. No meu canal, um lugar onde tenho grande visibilidade, aproveito para falar de questões como gênero, sexualidade, gordofobia, entre outros temas que estão na urgência de cada vez mais debates, pois o diálogo gera reflexão e transformação. Eu quero usar minha arte para comunicar, para dizer, para fomentar debates, para que o outro nunca se esqueça de que somos iguais. Que gênero, etnia, raça, não é motivo de segregação ou agressões físicas e psicológicas. Eu quero sempre dizer que o amor venceu.

Você se considera exemplo para o mundo LGBT+? Acha que de alguma forma sua história de vida contribua para isso?

Acredito que nós somos a somatória das nossas experiências, e olhando para elas vejo que muitas pessoas falam sobre minha trajetória, sobre a coragem de dizer o que sou e viver isso, e principalmente acerca de incentivar as pessoas a se olharem como são, mas sobre tudo se amarem dessa mesma forma. Sempre que formos capazes de mostrarmos o que há de positivo em nós, no amor, nas relações, eu vou seguir acreditando que podemos evoluir. Penso que por meio do meu trabalho, das minhas palavras, o público LGBT que me segue consegue se sentir de alguma forma abraçado, e isso me realiza como pessoa e profissional.

Em bate-papo que nós dois já tivemos, você me disse que seus melhores amigos não são famosos. Mas como é a sua entrada nesse mundo dos famosos, já que você parece ter um passe livre com grande parte deles?

Assim como em uma das perguntas que respondi aqui, ressalto, mais uma vez, que as conquistas são fruto de muito, muito trabalho. Além disso, boas abordagens, arte com qualidade, descontração, são fatores que acredito serem contribuintes para cativar meus convidados e fazê-los se sentir à vontade. Todo espaço vai sendo conquistado com perseverança, e é nisso que acredito. Nas infinitas possibilidades que se colocam a nossa frente quando estamos focados.

Por estar muito ligado neste universo, a aparência, estética, te tornam escravo? Como é a rotina de cuidados?

Eu sou bem de boa e bem eclético. (Risos). Tem semana que vou à academia todos os dias e tem semana que só como 'junk food'. Mas tento balancear e comer bem e malhar quatro vezes na semana. Gosto de me cuidar, mas não sou escravo da beleza. Aliás, todo tipo de beleza é válida. Basta nos sentirmos e estarmos bem.

E o que você espera de 2020?

Espero saúde, muitas conquistas no trabalho, e amor para o mundo. Acho que se quero isso para todos é porque também busco alcançar essas coisas e falar dos bons sentimentos.

Algum plano para projetos no Estado?

Ainda não defini como será rotina e as viagens de 2020, mas sem dúvidas quero ter a oportunidade de ir aí, no Espírito Santo, principalmente para conhecer mais da cidade e curtir dias com tranquilidade. Isto é, turistar mesmo (risos). 

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