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É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Vacinação no Espírito Santo: ninguém pode ficar para trás

Ao poder público não basta só divulgar e pedir que as pessoas se inscrevam em algum site de agendamento. O poder público pode e deve ir além, ligar, mobilizar, convencer e garantir que o máximo de pessoas possam ser vacinadas

Publicado em 15/06/2021 às 02h00
Voluntários são imunizados no Viana Vacinada deste domingo (13)
Voluntários foram imunizados em Viana no último domingo (13). Crédito: Carlos Alberto Silva

Neste fim de semana, mais de 14 mil moradores de Viana, na Grande Vitória, saíram de suas casas e receberam a meia dose da vacina AstraZeneca. Foi em nome da ciência, da esperança, muitos disseram. Esta que moveu e fez com que tantas pessoas saíssem de suas casas e fossem se vacinar.

O ato de acreditar, para a representante da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), é que pode fazer toda diferença na superação da mais longa crise sanitária já vivida nos últimos anos. Mais do que coragem, os voluntários se tornaram amigos da ciência e colaboradores de um experimento único, capaz de aumentar em 2/3 a vacinação que poderá ser usada em todo mundo.

As vantagens são a redução do custo e a garantia do alcance para bilhões de pessoas que ainda não receberam a vacina. No rosto, além de satisfação de receber a vacina, a alegria tomava conta dos voluntários que se dirigiam aos locais de vacinação. Muitos ali sofreram com a dor da perda de entes queridos e amigos. Para estes, receber a vacina é um ato de proteção a vida dos seus e, acima de tudo, um ato de amor.

No entanto, vacinar não é um ato simples. Neste cenário de polarização do país é, acima de tudo, um gesto de resistência. Diante de tanta descrença, desestímulo, inclusive da parte do presidente da República, vacinar é se colocar em uma luta, com oferecimento do próprio corpo, para que mais e mais pessoas sejam alcançadas, imunizadas e livres da doença. Portanto, é acima de tudo um ato de entrega em favor da vida.

Mas para garantir a presença das pessoas, não se trata só de divulgar, é preciso convencer, fazer com que acreditem que não vão virar jacaré e que ninguém vai passar a ser comunista. Estas e outras fake news infelizmente ainda povoam a mente das pessoas. Por isso, ao poder público não basta só divulgar e pedir que as pessoas se inscrevam em algum site de agendamento. O poder público pode e deve fazer mais. Ir além, ligar, mobilizar, convencer e garantir que o máximo de pessoas possam ser vacinadas.

A representante da OPAS, Sra. Socorro Gross, resumiu bem a tarefa do poder público quando se trata da vacinação. Ela enfatizou em seu pronunciamento, neste fim de semana em Viana, que é preciso fazer uma união de esforços para que “ninguém fique para trás e que todas as pessoas devem ser alcançadas com a vacina”.

E isso passa por comprometimento e prioridade por parte de quem administra. Capacidade de logística, rapidez no atendimento e organização de dados, foi o que fez com que Viana fosse escolhida para realização do estudo. Desde o começo da vacinação, Viana já realizava atendimento domiciliar para garantir aos idosos o alcance das vacina.

Mas esta não é a realidade de muitas gestões públicas. Em tempos de vacinação em massa, um dos grandes desafios para as prefeituras é saber quem é e onde mora seus munícipes. Esta que deveria ser uma tarefa prioritária da administração pública, a manutenção de banco de dados atualizado, infelizmente não faz parte da rotina de muitas. Por isso, cabe aos prefeitos e suas equipes decidirem pela vacina e investirem em organização para alcançar todos os que precisam ser vacinados.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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