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É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Morro do Moreno precisa de mais segurança e acesso monitorado

É preciso unir visitação, preservação ambiental e turismo de aventura para a atender aos diversos públicos e, ao mesmo tempo, proteger espécies nativas

Publicado em 11/05/2021 às 02h00
Vila Velha - ES - Terceira Ponte e Morro do Moreno.
Vista aérea da Terceira Ponte e do Morro do Moreno, em Vila Velha. Crédito: Vitor Jubini

Morro do Moreno é um dos pontos mais buscados por turistas em Vila Velha. Apresenta uma vista única da Terceira Ponte e do Convento da Penha. Com esses atrativos, em dias de feriado e fim de semana, centenas de pessoas sobem o Moreno para sentir e viver o que há de melhor em termos de turismo de aventura na Grande Vitória.

Com a pandemia, para aliviar a pressão do estresse e ajudar a saúde mental, subir o morro tornou-se uma grande opção de vida saudável. Embalados pela eco-selfie, a busca por lugares na natureza e ao ar livre para registro de fotos, pelos esportes radicais ou pela simples vontade de sair de casa, nos fins de semana e feriados, capixabas fazem uma espécie de romaria ao morro.

Por ser local de reserva ambiental e cultural, definido em lei municipal, o espaço se vê ameaçado. Quem denuncia é a Associação Capixaba de Escalada, por meio de um manifesto. Deixam claro que o que torna alta a procura pelo local é sua beleza natural. No entanto, pelo excesso de pessoas que visitam o local, sem controle pelo poder publico, o mesmo bem natural tão procurado pode passar a não existir mais.

Do jeito que está, o Morro do Moreno sofre um grande impacto com a exploração da área de forma predatória. No local, existem espécies da flora e da fauna da Mata Atlântica que exigem preservação e proteção ambientais. Alem disso, a prefeitura, na gestão anterior, permitiu a instalação no local de empresas de turismo de aventura.

A tirolesa, que foi anunciada com uma ótima opção de esporte e lazer, transformou-se em instrumento de morte. Um pai morre, quando deveria esta brincando com sua filha, num local onde a confiança e a segurança deveriam vir em primeiro lugar. O caso está sendo apurado, e o que se espera é que todos os culpados sejam punidos de forma exemplar. Até para que outras empresas possam ofertar a instalação de tirolesas seguras no local.

O morro e os capixabas já sofreram com a morte de um agente penitenciário por indivíduos armados. A falta de segurança e fiscalização no local deixou em todos nós um sentimento muito ruim. Até quando o poder público vai esperar para tornar o Morro do Moreno um local com mais segurança e condições de acesso monitorado? A saída não parece simples, mas, a exemplo de outros lugares de turismo no país, é preciso unir visitação, preservação e turismo de aventura para a atender aos diversos públicos e, ao mesmo tempo, valorizar e preservar as espécies nativas.

Para isso, a Prefeitura de Vila Velha, antes que mais mortes aconteçam, precisa promover o gerenciamento de acesso ao morro. Uma das saídas é transformar a área em um parque com visitação controlada, educação ambiental e exploração de esportes radicais com empresas comprometidas com a segurança e a vida. Afinal, todos queremos visitar com segurança o Moreno, que se tornou um marco turístico da Grande Vitoria.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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