Um desafio dos partidos políticos para as eleições 2020 é formar uma lista completa de candidatos e candidatas com potencial de votos. Com o fim da coligação proporcional, cada agremiação partidária terá que formar seu próprio time, para obter o coeficiente eleitoral necessário, e assim eleger vereadores e vereadoras. Condição para a sobrevivência política deles, pois sem liderança nos espaços de poder, como poderão se manter?
Por isso, esta é a eleição dos partidos políticos! O que se revela outro imenso desafio. Eles deverão mostrar capacidade de organização antecipada, poder de articulação e de mobilização de novos quadros. Mas, ao mesmo tempo, deverão apoiar e criar condições para potencializar os quadros atuais. Pois não existe outra receita para obterem êxito e sucesso nas urnas.
Um verdadeiro teste de sobrevivência. Isso mesmo! Pois, por se tratar da primeira eleição sem coligação proporcional, cada partido político terá que mostrar a que veio. No entanto, um fator que dificulta muito é a escassez de lideranças qualificadas e aptas a disputar uma eleição. Em algumas cidades, devido ao reduzido número de nomes que disputam toda eleição, aumenta a exigência por formação e orientação política de novos quadros. Para isso, faz-se necessário investir na equipe, apoiar e incentivar mais pessoas a atuarem como candidatos e candidatas. Tarefa nada fácil!
Não sei qual a fórmula, mas os partidos sempre encontram candidatos e candidatas animados para ganharem as ruas. Em Viana, por exemplo, o número de candidatos (homens e mulheres) calouros, na última eleição, foram mais de 50%. Isso mostra que enquanto alguns quadros políticos desistem, outros criam coragem e entram na disputa.
Mas como o maior número daqueles que disputam as eleições, até o momento, são do público masculino, o grande desafio dos partidos políticos e suas lideranças, para esta eleição, é garantir as candidaturas de mulheres. Primeiro porque, devido a não investir na formação de mulheres, os partidos acabam por colocar os nomes de mulheres só para cumprir as cotas. O que tem criado uma série de problemas, devido às chamadas “laranjas”. Candidatas sem apoio, sem causa e legado e que não se esforçam para conseguir votos. Enfim, só emprestam o nome para os partidos preencherem as vagas previstas. E, em alguns casos, repassam até a verba que tinham direito a gastar.
Este desafio fica maior ainda com o fim da coligação proporcional, o que exige nas disputas um time bom por completo. Tanto mulheres, quanto homens, deverão ter uma quantidade de votos necessária para que o partido alcance o coeficiente eleitoral. Caso contrário, correm o risco de não eleger seus representantes. O que está claro é que não dá só para incluir nomes para constar e cumprir cotas de legislação.
Um outro fator que obriga os presidentes de partidos a valorizarem as candidaturas das mulheres é porque, a partir das eleições de 2018, as candidatas passaram a ter direito a 30% da verba do fundo eleitoral. Esta mudança é importante pois garante para muitas candidatas um valor significativo (repasse de verba) a ponto de fazer a diferença numa disputa eleitoral.
Contudo, o que assistimos na história recente do país, em relação ao que aconteceu nas últimas eleições, foram casos como o episódio das candidatas “laranjas” do PSL. Ele deve servir de alerta e preocupação em relação como a maioria dos partidos conduzem as candidaturas das mulheres. Para esta eleição, uma vez que cada partido terá que preencher as cotas, teremos um número bem maior de candidaturas femininas. O que exige mais atenção, preparo e apoio às candidatas por parte dos dirigentes partidários.
Pois é mais sábio, prudente e traz mais benefícios para os partidos que eles invistam nas candidaturas de mulheres. Para formar e preparar novos quadros, mas também pelo simples fato delas já terem um lugar garantido (cotas) por meio da legislação, direito à repasse obrigatório de verba e também, não podemos esquecer, uma fiscalização eficiente da Justiça Eleitoral, que estará de olho em tudo.