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Memórias

Zé Luiz batia um bolão no futebol de salão, agora é cirurgião

No time da União Atlética Ginasial do Espírito Santo dos anos 60, do Colégio Estadual, José Luiz mostrava seu talento e raça

Públicado em 

01 jun 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Jovens jogando futebol de salão na escola
A felicidade era grande e fácil naquele tempo, que dá saudade e é suficiente Crédito: macrovector/Freepik
No time da União Atlética Ginasial do Espírito Santo dos anos 60, do Colégio Estadual, no futebol de salão, José Luiz mostrava seu talento e raça. Que fique este registro eterno para o orgulho de Venda Nova do Imigrante, onde mora agora. Grande cirurgião, faz dupla de área com outro colega esculápio, Dr. Gustavo. Esse eu raptei para O Diário, ou A Tribuna, não sei ao certo...
Certa vez, o time foi de trem de Vitória a Aimorés, edificada entre Minas e Espírito Santo, terra de Sebastião Salgado. Na cidade vizinha tremula a bandeira de Baixo Guandu. Vai-se a pé de uma a outra. Nosso time era bem melhor que o mineiro, pelo qual fomos desafiados. A hospedagem, uma delicadeza: a casa da família dos colegas que estudavam no Estadual, como Zé Carlos Correa, Paulo Tavares e grande elenco.
Como esta memória me trai – sempre traiu –, não me lembro o resultado da partida, em que os jogadores se reuniram na quadra do reconhecido colégio público. Talvez não seja importante o detalhe. A felicidade era grande e fácil naquele tempo, que dá saudade e é suficiente. Mas lembro muito bem do trem balançando no ritmo, nos trilhos, unindo a gente aos mineiros – especialmente as mineiras –, como ocorre até hoje. E que continue para sempre, melhorando um pouquinho o sotaque. Capixaba não tem, por exemplo. O que já é um sotaque, é ou não é?
Agora que estamos prisioneiros da ignorância que rege o país, lembro-me com uma doce melancolia dos usos e costumes de outrora. O cotidiano era risonho e franco. A turma do colégio se encontrava na Praça Oito ou Costa Pereira ou “na cidade”. Não carecia de marcar hora, ninguém errava o rumo. E ficávamos a fazer nada. Ou bebendo Hidrolitol (até hoje não sei o que era aquela água gostosa com gosto de nada e tudo) e o caldo Lyra com pastel. O relógio da Praça Oito emitia um sui generis ruído, um sinal para você saber das horas no próprio relógio.
Meu querido Fernando Herkenhoff desvendou com sutileza a minha intenção ao transformar-me assim em um contador de história, da nossa, principalmente. Tomara que seja. Depois não me venham reclamar.
Acho até hoje uma beleza o desenho arquitetônico do Colégio Estadual, de um certo Élio Viana. Quem nasceu primeiro? Niemeyer com Brasília ou Élio com a arquitetura do ginásio? E outra: não precisava ser famoso para usufruir desse futurismo fenomenal da arquitetura. Os alunos, as alunas, os professores e, principalmente, as competentes, doces e bravas Inspetoras de Classe deveriam, se dependesse de mim, governar o país.
O colégio oferecia tratamento precoce para o sadomasoquismo. Na hora do recreio, enchia-se uma caixa de sapatos de pedrinhas, embrulhava para presente e deixava esquecida no pátio. Por mais manjado que fosse o exercício psicológico, sempre tinha um ou uma que, do nada, dava um chute de bico na inocente caixinha. Não digo que foi ideia do Paulo Pimpão, irmão do Fuinha, nem que me matem.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, diz que não existe apolítico. Existe abobado.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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