Respeitável público. Paira nas vias de comunicação páginas felizes e infelizes da história brasileira, que certamente, assim como o samba, não se ensina na escola, embora alguns achem que aprenderam.
Neste exato momento, a gestão pública do país chafurda na mesma trama de todas as demais. Até meu cão de estimação, o Dorian Gray, cujo retrato encontra-se na parede da sala, sabe disso. Mudam os donatários, mas a capitania repete os mesmos compassos do samba, o mesmo enredo, e deixa o povo atravessado no ritmo. Mudam só as alegorias e as fantasias. Até o samba muda de nome.
O povaréu não participa hoje do atual desfile, como não participava dos anteriores. Somos figurantes obrigados a votar para fazer volume, e nada mais. Por isso a “eleição” é obrigatória, claro. Pensar, nem pensar. A palavra “obrigatória” acaba com todos os pífios vestígios de democracia. Os grupos travestidos de partidos e siglas, os mais ridículos possíveis, saem às ruas, quando saem, para gritar o nome dos escolhidos caciques sem flecha, geralmente sem vergonha, dançando da mesma forma para fazer a mesma coisa. Isto é, coisa alguma.
Minha senhora, as hordas de fantasiados estão a serviço de seus proprietários, e é o nome deles que está em pauta. Assunto, tema, protesto, isso não tem direção.
Tem violência cega, caótica, bêbada. A polícia da vez não sabe literalmente o que fazer. Impedir o quê, onde? O serviço de inteligência não é capaz de identificar o fluxo das manifestações, nem a direção, nem o sentido. As greves que historicamente levavam à negociação, fazem o samba “atravessar”.
Veja no transporte. Sem saber se a ordem partiu de motoristas ou de seus patrões o povo é agredido com o bloqueio do já deficiente respeito ao público. Não custa lembrar que para favorecer os países ricos foram-se a navegação costeira, os trens e as óbvias estradas de ferro. A repressão à roubalheira individual em todos os níveis não dá em nada de fato. Logo aparece uma lei para anular ou adiar o julgamento da “Coisa Podre”. E começa tudo de novo. E o furto não é devolvido, volatiliza. Não tem problema, aumenta-se o saque à já empobrecida nação tupiniquim, e apelida de reforma. Ninguém, absolutamente ninguém, principalmente os autores da peça, compreendem o que significa.
Não vou cansá-los recitando o óbvio. Vamos tomar um refresco de cupuaçu, uma delícia, enquanto lhe conto uma piada.
Na Biblioteca Nacional, que fica ali na Cinelândia, no Rio, leia o Diário de Pedro II. Depois vá ao Museu Imperial de Petrópolis, Fundação Getúlio Vargas, Museu Nacional, e a Bibliografia de José Murilo de Carvalho onde guardam em suas preciosas páginas algumas informações fundamentais. Quem quiser que vá lá olhar.
Veja e envergonhe-se ao constatar que o projeto de governo de D. Pedro II era extremamente saudável e inteligente. Até o primeiro o golpe de Estado aplicado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.