Tenho encontrado, muitos anos depois, amigos históricos perambulando pelos points principais das minhas redondezas na Praia do Canto, principalmente. Que bom.
Estava outro dia passeando no Centro da Praia, onde elaboro há muitas dezenas de anos minhas concepções e prática de Psiquiatria, Psicanálise, essas coisas. Mantenho, assim, um consultório específico, que eu espero ser cada vez menor e melhor. Então, dei de cara com um Menino de JEC - Juventude Estudantil Católica, Carlos Magno Cardoso. O mesmo de sempre.
Aproveitei para recordar os demais comprometidos com Deus nos anos 60, acho. Queríamos salvar o mundo da indiferença entre as pessoas. Acho que conseguimos pelo menos dentro de nós, tomara.
Deixa eu ver se lembro do nome de alguns irmãos em Cristo e toda a turma engajada. Chico Celso, Ângela Machado, Helena Rezende, Toninho e Danuza, Jurandir, Luiz Raul Machado, Graça Ruy, Maria Guilhermina Campos, Bernadete, Padre Waldir, Padre Zé Luiz e muitos outros. Traz felicidades as lembranças.
O encontro diário do grupo era — quem sabe ainda é no imaginário de cada um — na sacristia da Catedral de Vitória. Alguns de nós nutria uma clara identificação com a União Nacional dos Estudantes, a UNE, e as entidades estaduais filiadas ou não.
No auge da atividade política e espiritual da JEC, o Brasil sangrava com uma ditadura perversa, mas que impunha toda violência ao país, instituindo imediatamente a proibição do pensar. Para isso derramou muito sangue em todos os cantos e recantos. Nós gritamos, escrevemos e pichamos verdades nos muros da cidade.
Caminhando pelas ruas da Praia do Canto vejo quase diariamente algumas pessoas do grupo, com quem tenho conversado ultimamente. De vez em quando a memória leva-me, também, ao jornal “Independente”, tabloide editado no Colégio Estadual, e seu sagrado time de secundaristas redatores.
Então.
Na verdade não existe direita e esquerda e, sim, em cima e embaixo, vamos concordar. Escrevo essas mal-traçadas um dia antes da partida final da Copa do Mundo. Sei que Pelé não resolve mais os problemas do imaginário coletivo do país. O povo deve falar aos mandantes de qualquer lugar a sua opinião diretamente.
Grande parte dos governos continua fingindo combater a quase total ausência de dignidade no país, principalmente no que se refere ao dinheiro público, como, por exemplo, o insuportável Orçamento Secreto, as emendas parlamentares sem controle, e assim por diante.
Saudades dos temas de discussão da JEC: Ver, Julgar e Agir.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, diz estar organizando um grupo que combate o mal. A começar pela Raiva.