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Crônica

Promessas e mais promessas, enquanto é tempo

Na minha opinião, aquele que é dado como finado pode escolher, sem ter que se submeter a qualquer lei, muito menos religiosa, seu destino infinito

Publicado em 23 de Maio de 2023 às 00:30

Públicado em 

23 mai 2023 às 00:30
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Cemitério de Santo Antônio em Vitória
Cemitério de Santo Antônio em Vitória Crédito: Fernando Madeira
Se algum dia eu vier a morrer, por direito e vontade, desejo fazer algumas exigências. Quero estar confortavelmente esfarelado em uma urna de aço e como pano de fundo os Beatles incluam “All we need is love”, minha preferida, e toda a minha verdade.
Declaro guerra contra os covardes micro ou macro organismos patológicos que hão de haver me enviado desta para outra traiçoeiramente, como acontece sempre. Preparem-se infiéis, em guarda, para travar uma luta contra a temperatura do crematório, que de tão alta vocês desejarão não ter se enfiado em mim.
Assim é, que bactérias, vírus, covides, chikungunya e dengues estejam preparados para sumir do mapa, pelo menos do meu mapa. Digam aos seus cúmplices que me deveriam proteger e não o fizeram, e o que fizeram foi muita esculhambação nos serviços públicos de saúde que ocuparam sem competência sequer. Por exemplo, duvidando do óbvio, a vacina, que desde sempre acabou com a camuflagem de vocês.
Ninguém enxerga você, o vírus de costas. Em prévios estudos a respeito, ao me preparar para a infinita viagem, descubro que não existe céu nem inferno e sim Isso, Aquilo e Aquilo Outro, que pode representar qualquer coisa nesse mundão de Deus.
Na minha opinião, aquele que é dado como finado pode escolher, sem ter que se submeter a qualquer lei, muito menos religiosa seu destino infinito. No firmamento, o local é escolhido pelo cliente vestido em reluzente em forma de pó brilhante, cor a escolher. Soube que é muito dispendioso o estar lá e já tem coisa ligada a quadrilhas de traficantes, mas os donos dos céus, lá como cá - que ninguém soube ou saberá quem ou o que é - promete acabar com a injustiça.
Vou procurar o departamento onde cochila Paulo Torre, carinhosamente cognominado de “Animal”, e agregar finalmente o terceiro membro de nossa tribo, Rubinho, que já estará lá antes de mim, o apressadinho de suspensórios, que como sabem usa desde os cinco anos de idade.
Soube em sonhos que qualquer outro é igual a outro, o que acaba com a competição ferrenha causadora de todas as violências aqui na Terra, um minúsculo pedacinho do tudo e nada.
Prestem atenção nas letras de música e batucada do Carlinhos Brown, principalmente na percussão, onde está tudo escondido no turbante.
Gostaria também de presenciar a discussão perante Deus das duas conversas fiadas e perigosas da década : Zelensky e Putin, além de aplicar uma penitência para o Tite por errar de propósito a escalação na Copa do Mundo do Catar contra aquele time uniformizado com tecido extraído de toalhas de mesa, a Croácia.
E só.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, dorme, acho

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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