O imperador Romano, Nero, encerrou sua vida recitando a frase: “Que grande artista o mundo está perdendo’’. Afinal, cometeu a bravura de ordenar o incêndio de Roma e abrir o ventre de sua mãe, Agripina, para verificar se ali era possível abrigar uma pessoa.
Como quem conta a história são os vencedores, uma outra versão teria sido dada: incendiara apenas os arredores de Roma para exterminar os ratos que contaminavam de peste muitas cidades da época. E ordenara o corte abdominal da genitora, já morta, para colaborar com a ciência médica, muito fraquinha na época.
Paira nos meios filosóficos e nos botequins do universo, que se fossem reunidos em uma frase todo o conhecimento que domina o ideal do ego dos humanos, e isso pudesse ser compilado em um livro, e desse livro pudesse ser extraído um capítulo, e desse capítulo uma página, e dessa página, uma frase, sabe a senhora qual era a frase? “Viver não é biscoito”.
O gênio beatle, John Lennon, contou toda sua história de amor com a mãe com um grito, que transformou em música: “Mother!!!”. Paul McCartney resumiu o apelo ao carinho da sua com uma frase sem qualquer parceria: “All we need is Love”, observado pelos três outros em silêncio religioso. Depois viraria música.
O grito “Terezinha!!!”, se bem gritado, representa a vida, a paixão e a morte do multimídia Chacrinha, o Abelardo Barbosa, que esteve com tudo e não esteve prosa.
Talvez tenha sido por essas e outras que o filósofo Helge Hesse, nascido em Dusseldorf, na Alemanha, pesquisou o que seria a expressão reduzida a uma frase das obras e efeitos das páginas felizes e infelizes da nossa história, que rola por aí na boca do povo em geral, dos meliantes aos intelectuais.
Assim é que para não perder tempo, o filósofo cita “Conhece-te a ti mesmo”, onde logo se reconhece a importância da obra de Tales de Mileto que viveu até 654 anos antes de Cristo. Sócrates, não o do Corinthians, mas o de 415 a.C, evitou muita conversa fiada e entrevistas incômodas repetindo a eternizada frase: “Só sei que nada sei”.
Diógenes, 323 a.C, abordado por um poderoso rei que fora oferecer-lhe abrigo, já que estava decepcionado com a humanidade (e um pouco de frescura) havia decidido morar em uma tenda isolado: “Só preciso que se afaste um pouquinho, não me tapes o sol”.
“Errar é humano", proferiu Marco Tulio Cícero, em 43 a.C. “Acertar é muçulmano”, comentou um árabe ao covarde e trágico ataque às torres gêmeas em Nova York.
O pragmático “Tempo é dinheiro” foi o resumo atribuído a Benjamin Franklin, em 1790, criando um estilo onde tudo na sociedade moderna é emoldurado pelo “time is money”. Já Pierre Joseph, em 1831, inscreveu no próprio túmulo: “A propriedade é um roubo”. Como diria Amylton de Almeida, vade retro Satã.
“Penso, logo existo”, de 1650, é propriedade rara de René Descartes. Por exemplo, até o momento em que batuco esses teclados não me ocorreu nenhum candidato à presidência do Brasil que demonstrasse possuir o dom de pensar. Muito pelo contrário.
Francis Bacon, em 1626, salva a honra histórica da inteligência: “O conhecimento é poder”. Mas, na verdade, o poder impõe o conhecimento do jeito que bem quiser. Como as altas nomeações que ocorrem nos ministérios, por exemplo.
Diante das roubalheiras impunes, especialmente nas infinitas instâncias, me ocorre lembrar Vespasiano, 79 d.C. : “O dinheiro não tem cheiro”.
Nem os corruptos.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, rosnou indiferente no Dia dos Pais.