Outro dia, deparei-me com a notícia do enterro de Sebastião Ribeiro Salgado Júnior, o gênio do amor à natureza, principalmente o semelhante. Já lhes segredei minha insólita sorte de conhecê-lo, no maior dos acasos, em Paris por onde andava.
Lá no País de Anjou atual, paira uma galeria de arte bem pertinho do Centro George Pompidou, no arrondissement 4, no Les Halles, acho, na imensa exposição do que há de melhor em todas as áreas da cultura.
Pois bem.
Passeando por ali, dou de cara com uma mostra no térreo, onde estava naquele horário, no início da tarde, uma única pessoa passando vista nos quadros. Eram fotos em branco e preto. E adivinhem quem estava lá de guarda? Isso mesmo, Sebastião Salgado.
Nunca o havia visto antes, mas sabia do seu talento. Abordei-o, educadamente, acho, e conversamos sobre o frio que fazia na cidade e a sua apaixonada experiência de chegar ao outro com amor, por meio de sua mágica e encantada câmera. Era uma figura resplandecente.
Viria a encontrá-lo de novo em Vitória e, pasmem, em Barcelona, acidentalmente, em uma outra exposição sua (mas isso é outra fantástica história).
Ficou em minh`alma o homem e sua divindade.
No meu marcante encontrar com ele em Les Halles, logo formou-se dentro de mim, a seu respeito, um conceito de algo surrealista.
Então.
Naquele dia chuvoso, segui meu caminho pela região, tem vários cineminhas por ali, para assistir adivinha o quê? Isso mesmo, “Central do Brasil”, com Fernanda Montenegro e tudo, que não estava nos meus planos. É coisa demais em pouco tempo.
Entrei, sentei e avaliei a torcida. No final, muitos aplausos franceses. Faltou pouco para, na minha modéstia, curvar-me e agradecer em nome da arte brasileira e da pátria. Fiz minha parte no filme: aplaudi com força e pleno de orgulho verde e amarelo.
Bem por acaso, falando, agora, com meu cunhado Francisco Martins, que mora em Paris, filho do pintor português João Martins, descubro que coleciona Salgado.
Queridos leitores, venho acumulando as obras de Salgado, inclusive porque ele passou seis anos registrando a beleza da Amazônia - terra onde nasci. Parte em companhia de Míriam Leitão.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, fiel companheiro de minha solidão, também anda saudoso de Manaus.