Tomei a Terceira.
Penso que o costume de ter certezas acabou e vamos seguindo em variadas direções e sentidos nesta Terceira Guerra Mundial, o novo coronavírus, onde todos os países são inimigos fiéis uns dos outros. Extensivo às pessoas que perderam a capacidade de considerar o Outro, a alteridade.
Isso mesmo, não existe, como há três anos, o fator que definia o viver, havia, sim, um sistema prévio de cuidados e cuidadores. Tudo sumiu como por encanto para dar lugar à tristemente célebre paranoia. Parece o fim do mundo. Para onde a senhora olhar ou ouvir perceberá um toque de perigo, negando aos habitantes do planeta o direito de viver e morrer em paz.
As modalidades de fé em Deus estão em alerta e os apelos à ajuda divina superam as descrenças das religiões. Deus está presente nos desesperos, na esperança, creio eu. Certamente no Brasil de hoje, nos recentes surtos atribuídos a um vírus confuso - que não sabe para onde vai - e que é capaz de façanhas diabólicas. Some-se a isso um governo incapaz de pensar ou ter a mais remota compaixão com os brasileiros.
Assisti, agorinha mesmo, a um documentário filmado diretamente de campos de concentração nazista onde os assassinatos mais numerosos eram por asfixia ou gases venenosos, incluindo, por questões de lucro e malvadeza, os gases de escapamento de veículos.
Resumindo, morte por falta de ar induzida.
Como aconteceu em Manaus, Amazonas, quando os pulmões insuficientes dos acometidos por essa praga já não podiam manter vivos grande quantidade de amazonenses. O dinheiro oficialmente destinado à compra do insubstituível oxigênio sumiu nas tramas dos gestores incompetentes e vorazes, alguns deles, os mais poderosos, sem ter qualquer formação na área biomédica.
Some-se a isso o descaso com a destruição por fogo e roubo da floresta e seus rios antes caudalosos. O sistema de apuração, como a CPI e os demais, desse cinismo oficial, causa nojo em qualquer um. Nunca é demais citar uma, digamos, das leis que permitem a um depoente, indiciado claramente, não responder o que achar inconveniente para seus interesses.
Não se assuste, esse tipo de lei é feito pra isso mesmo ou não é? Prejuízo só para a ingenuidade popular. Ao povo resta se virar com uma inflação galopante e abuso de preços em geral.
Tenho um amigo que vive a discutir as definições tidas como obra de Deus. Apelidei-o justamente de “Professor de Deus”. Uma de suas teses é a contestação à decisão do Senhor ao criar as florestas e destinar uma árvore só para todos os frutos, economizando terreno.
Imagine isso no Brasil, a esculhambação que ia pintar.
Diz uma historinha israelense que dois judeus assassinados, egressos da tortura nos campos de concentração, um de Treblinka e o outro de Auschwitz, compareceram, ao subir ao céu, a entrevista com Deus-Pai para regulamentar a admissão.
- Eu fui muito mais torturado que ele, diz um. E descreve com dor e feridas sua estadia em Treblinka, onde teve seu fígado extirpado sem anestesia. Oxigênio nem pensar
- Eu fui mais ainda, diz o outro pretendente ao céu, pelo que sofri e lutei, desarmado, contra aqueles animais armados até os caninos.
O bom Deus, auge da sabedoria, resolveu que iria inaugurar o Voto de Minerva, decidindo qual dos dois tinha razão.
Foi quando entrou em cena um rabino:
- Com mil perdões, o senhor não pode saber, não esteve lá nem sequer um minuto, em nenhum dos dois campos de concentração, apesar dos pedidos.
E assim falou Zarastruta.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, é repleto de fé.