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Jovens

Educação: passado o incêndio, ficará o trabalho de rescaldo da pandemia

Não, não é possível recuperar o que se perdeu. O tempo não volta. Para estudar o que não foi ensinado no ano passado, é preciso sacrificar algo do que deveria estar sendo feito neste. Aulas de reposição ajudam, é claro, mas não resolvem

Públicado em 

26 set 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Vitória adota modelo de revezamento diário nas escolas
Sala de aula com distanciamento social em Vitória Crédito: Jansen Lube/PMV
Já andamos advertindo aqui que a evasão escolar aumentada pela pandemia pode representar problemas adicionais para a segurança pública. Contudo, é preciso olhar também o reverso da moeda: as escolas representam um refúgio para muitas crianças e adolescentes, inclusive das próprias famílias. Também não são poucos os que dependem da merenda escolar. Privadas desse serviço, sua vulnerabilidade cresce exponencialmente.
Em se tratando de indivíduos em formação, sua personalidade é muito mais suscetível de influências externas. É neste momento que ocorrerão muitas definições duradouras, talvez irreversíveis. Atingidos em graus diferentes e, claro, com respostas individuais diferentes a essas ameaças, cada aluno sem aula será afetado de um modo diferente.
Alguns podem se tornar agressivos, outros amedrontados; uns dispostos a estratégias arriscadas de sobrevivência – inclusive a criminalidade – outros sem iniciativa. Sua qualidade de vida tende a ser prejudicada não apenas durante a pandemia, mas também como sequela, na medida em que fiquem permanentemente desajustadas, mais passivas ou mais ativas do que os demais da mesma idade; assustadiças ou, ao contrário, sem noção dos riscos que assumem etc.
Isso é ainda mais grave na medida em que tendem a ser muito mais atingidos justamente os alunos em pior condição social, os mais expostos à evasão, aqueles com estrutura familiar mais precária, com renda menor, cujos pais têm menos anos de estudo e mais necessidade de sair de casa para trabalhar (se tiverem emprego).
Afinal de contas, a maioria das escolas particulares  voltou às aulas presenciais assim que possível, enquanto muitas redes públicas resistem ou o fazem de maneira precária – como, aliás, precário foi o seu funcionamento durante a pandemia.
Não, não é possível recuperar o que se perdeu. O tempo não volta. Para estudar o que não foi ensinado no ano passado, é preciso sacrificar algo do que deveria estar sendo feito neste. Aulas de reposição ajudam, é claro, mas não resolvem.
Quando o prejuízo é pequeno e o estudante tem condições excelentes, até se pode pensar que aulas de reforço minimizam o atraso, mas só no país da carochinha os usuários das redes públicas serão nivelados aos da privada. De qualquer forma, não é sobre isso o artigo: além do conteúdo a ser “reposto”, como desfazer privações materiais e afetivas já ocorridas? No plano da segurança socioafetiva, simplesmente não haverá como recuperar o prejuízo, no máximo podemos tentar amortecer a queda.
Passado o incêndio, ficará o trabalho de rescaldo.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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