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Crônica

Gols e afetos: memórias de uma confraria em campo

Como diz Santo Agostinho, para ser completo tem que estar em alteridade, isto é, com o outro. Assim é que aos sábados praticavámos a unidade, a parceria, as lembranças e a alegria da vitória ou o afago na derrota no singelo campo do Ouriço

Publicado em 05 de Agosto de 2025 às 04:00

Públicado em 

05 ago 2025 às 04:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Minha eterna tia Cecy, nesta manhã de domingo, uma lembrança insólita me faz sentir feliz. Veja. Acordo recordando da equipe de médicos da qual participei, cheio de graça.
Olha só o time: Carlos Sandoval, Roberto Serpa, Wallace Berilurdes, Evanilo Silva, Edilson Suzano, Carlos Salla, Sérgio Ramos, Valentim, Ademar de Barros, Vitor Buaiz, Gladys Lessa, Marcos Simonetti, Dadinho Zorzanelli, Maurinho, Milton Goiabada, Dalmo Lora, Cacá, Rubinho Bianco, Luiz Alberto Tavares, Hilton Bakana, Ademar Leal e Mariano e filhos. Todos da mesma especial enfermaria e, apesar das diferentes especialidades, era assim o conjunto, de inimitável eficiência.
Ninguém faltava ao plantão do “Ouriço Futebol Clube”, na estrada de Jacaraípe, logo depois da igrejinha pequenininha, porém com salientes alto falantes pregando, sinceramente até hoje não sei o quê.
Aqueles que ousavam enfrentar a nossa seleção sofriam muito. Planalto, Fluminensinho, Vale do Sol, Clube dos Trinta…
Quem não aplaudia as defesas de Rubinho, os passes milimétricos de Mariano e família… Berilurdes era a junção de um míssil com a dedicação pela vitória. Outra peculiaridade: Dalmo Lora era o único com formação em Engenharia e Medicina ao mesmo tempo, mais ou menos o que fazia quando a bola distraída chegava aos seus pés. Acontece.
Como vocês podem perceber, persistentes leitores, era um grupo de médicos exercitando as emoções.
O nosso singular estádio começava às margens da estrada e, ao fundo, só Deus sabia onde terminava. No final dos eventos, todos recebíamos as notas atribuídas pelo implacável observador Gladys. Nada é mais importante na vida - dizem os sábios - que o prazer de ter amigos, nem precisam estar perto, são como os anjos.
campo de futebol
Campo de futebol Crédito: Reprodução/Banco de Imagens
Como diz Santo Agostinho, para ser completo tem que estar em alteridade, isto é, com o outro. Assim é que aos sábados praticavámos a unidade, a parceria, as lembranças e a alegria da vitória ou o afago na derrota no singelo campo do Ouriço. Todos éramos iguais e praticávamos a inteligência e a falsa alegria do gol anulado.
Continuamos juntos.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, late em reverência.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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