Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

Democracia: direita e esquerda, volver

Meus irmãos, nós estamos passando necessidade política. As autoridades que recebem uma grana absurda retirada diretamente do bolso popular exercem o tempo todo a honorável missão de se contradizer sobre tudo

Públicado em 

30 nov 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Em plena Sexta-Feira da Paixão, lembro da seguinte parábola capixaba. O próprio filho de Deus resolve passear no shopping em Vitória, onde nosso grupo se reúne para provar vinho, às terças e sábados, além dos demais dias da semana.
Jesus Cristo chega pela primeira vez metido em seu traje típico para não chamar atenção. Sábio, sua conversa sobre a interpretação brasileira da bíblia, entre outros babados, era única.
Falava por metáforas, como convém a um santo, de modo que alguns não entendiam. Mas deixa pra lá. O importante era o clima alegre e cristão que impunha sua presença, descendo dos céus em plena chuva.
Encheu de gente para ver a novidade. Passou o dia autografando para os fieis. Alguns gênios, que não se vacinaram contra a Covid, e nem vão se vacinar, foram retirados da fila.
Passou-se.
No dia seguinte, estávamos todos lá quando o filho de Deus se aproximou de novo. Logo, sem perder tempo alguém falou à boca miúda: “Ih, lá vem aquele cara de novo”. Dizem os especialistas que o capixaba enjoa fácil. Eu não acho. Ou acho, não sei e não interessa.
Quanto a mim, continuei na minha, lendo o livro de Matheus, não o apóstolo, mas o Leitão, “Em nome dos pais”, que retrata a saga de dor, ódio e covardia que sofreram seus pais Miriam e Marcelo por obra da ditadura de 64.
Parece mentira, mas alguns amigos não gostaram muito da minha declaração de amor à Marinha do Brasil, na crônica passada, da qual queria ter sido oficial. A Marinha é do Brasil e do povo brasileiro, não é de mais ninguém. Assim como a Unidos da Piedade, a Portela, Carlos Drummond de Andrade, Woody Allen, Suassuna...
Meu amigo Rubens Gomes, por exemplo, usa suspensórios desde os cinco anos de idade - agora tem 67 – e ninguém tem nada a ver com essa liberdade de expressão. Democracia é isso, ou alguém precisa de autorização para sentir e pensar?
Meus irmãos, nós estamos passando necessidade política. As autoridades que recebem uma grana absurda retirada diretamente do bolso popular exercem o tempo todo a honorável missão de se contradizer sobre tudo. A única coisa concreta é o dinheirinho que arrancam do erário público.
Como se não bastasse, criaram a “malandragem secreta”: a frondosa arte de enfiar emendas para os próprios bolsos sem ninguém saber, exceto os inscritos nessa caverna de Ali Babá. A mídia de todos os planetas não se cansam de denunciar, e o máximo que se consegue é ir adiando, adiando, até que, baseados nas leis feitinhas para isso mesmo, encerram o assunto.
Isso sem falar na incompetência. Ao contrário de todos os humilhados funcionários públicos, esse povo que manda e decide sobre nossos direitos da senhora, não presta concurso público e nem submete-se a uma bateria de exames psiquiátricos, pelo menos. É impressionante a expressão do Bolsonaro-senador. Parece que vai morder alguém. É tão contundente quanto os argumentos da quadrilha que impregnou o PT no governo do Lula, com sua conivência.
Defender ou apoiar cegamente o erro, seja de quem for, é estupidez muito encontradiça no Brasil. Desse jeito não se formam eleitores que mereçam o direito do voto. Ninguém muda de ideia ou convicção ou argumento. É a eterna repetição.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, está com medo de ver TV.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Projeto de Tabata ameaça liberdade ao limitar críticas a Israel
Arthur e Ricardo Ferraço, Lélia Salgado, Renato e Virginia Casagrande, Mila Casagrande e Fabrício Noronha
Cais das Artes abre as portas com exposição "Amazônia" de Sebastião Salgado
Imagem de destaque
Viva Seu Natal e sua oficina em Santa Lúcia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados