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Crônica

Aí eu disse ao Woody Allen...

A modéstia me impede de dizer que conheci pessoalmente Woody Allen, o ícone do cinema inteligente, cáustico e humorado, em Nova York

Públicado em 

03 out 2023 às 00:30
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

O cineasta americano Woody Allen, de 82 anos
Falar com Woody Allen, ainda mais dar o nome de seus filmes, estou certo de que me custaram alguns milhões de neurônios Crédito: Divulgação
A modéstia me impede de dizer que conheci pessoalmente Woody Allen, o ícone do cinema inteligente, cáustico e humorado, em Nova York. Eu e meu amigo Paulo Torre.
Sabia que às terças-feiras ele e sua trupe frequentavam um certo bar iídiche. Fomos para lá. Chegamos, sentamos, olhamos, e nada do ídolo que construí ao assistir todos, absolutamente todos, os seus filmes passados no Brasil e alguns outros fora. Um cara que se fez amar pela Diane Keaton, sua parceira em grande parte dos filmes, não precisava fazer mais nada na vida. E ele fez.
Voltemos ao bar. Nada de Woody.
De repente, não mais que de repente, adentra o gramado, acompanhado de umas 20 pessoas, certamente sua equipe. Sentaram-se juntos e quase calados como todos bons judeus.
Lá pelas tantas, e contra a recomendação de meu melhor amigo, levantei-me e fiz a abordagem. Os fãs também são filhos de Deus.
De vezes em quando sigo meus impulsos. Infelizmente, nem todos ganham Oscar e são bem recebidos por anônimos como eu. Brincadeirinha. Os demais membros do grupo me olharam de passagem. Allen ofereceu uma cadeira.
Tentei ser um admirador brasileiro fiel, citando os seus filmes que assistira e outras milongas mais. Falar com ele, ainda mais dar o nome de seus filmes, estou certo de que me custaram alguns milhões de neurônios.
Ele fingiu ou prestou mesmo atenção. Lancei o merecido olhar de superioridade para meu amigo PT. Minutos depois, Allen pediu licença e foi tocar o clarinete mais amado da minha existência. Não querendo abusar da sorte, voltei para a minha mesa onde meu amigo morria de inveja, mas demonstrava indiferença à performance.
Afinal, eu havia conseguido.
Anos depois, na mesmíssima NYC, dessa vez em companhia de Rachel, assisti a um show dele no Michael’s Pub. O gênio toca muito e conta as melhores piadas sem esboçar um sorriso. Ao contrário, parece sofrer. E deve sofrer à sua maneira. De vez em quando o psicanalista que mora em mim, dá seus palpites.
Passou-se.
De controle em punho ando perseguindo os filmes dele na TV. Não fui dotado de facilidades cibernéticas com esses instrumentos mágicos, mas acabo, pelo método das tentativas que aprendi com o professor Pedreira, no Colégio Estadual, no tempo de cursinho pré-vestibular, localizar todos eles. Acho que assisti a todos. Mas assisto de novo e de novo. E me emociono de novo.
Com aquele riso de dor, Allen lança sua filosofia, comparando-se e citando Grouxo Marx.
Lembro de uma das películas, em que o filme inicia com um “big close up” de Allen em telão, filosofando sobre a existência humana.
- Comparo minha vida com duas velhinhas num asilo tomando a sopa da tarde:
- Essa sopa é fria, mal temperada, sem gosto, sem cheiro...
- Ainda por cima pouca, diz a outra...
Dorian Gray, meu cão vira-lata, avisa que está chovendo na roseira.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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