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Desdobramentos

CRO-ES faz fiscalização e notifica clínica de dentista em Vila Velha

Segundo o Conselho Regional de Odontologia, o estabelecimento não funcionou nesta quarta-feira, porém não foi interditado. A ação no local durou cerca de duas horas

Publicado em 27 de Maio de 2026 às 20:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

27 mai 2026 às 20:58
Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder
Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder são investigados por sequelas em pacientes Reprodução

A clínica da dentista Mariana Barros Laranja Roeder, investigada pela Polícia Civil após pacientes relatarem deformidades, infecções graves e sequelas permanentes decorrentes de procedimentos estéticos, foi alvo de uma fiscalização do Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) e da Vigilância Sanitária de Vila Velha nesta quarta-feira (27), na Praia da Costa, em Vila Velha.


A ação aconteceu um dia após reportagem exibida pela TV Gazeta revelar detalhes do inquérito policial que indiciou Mariana e o sobrinho dela, Nathan Laranja Roeder Holz, por lesão corporal culposa, quando não há intenção de causar dano.


Segundo o Conselho Regional de Odontologia, a clínica não funcionou nesta quarta-feira, porém não foi interditada. A fiscalização durou cerca de duas horas. 


De acordo com o CRO-ES, o alvará sanitário do estabelecimento está vencido e em processo de renovação. Mariana também foi novamente notificada por descumprimento das regras de publicidade previstas no Código de Ética Odontológica.  “No princípio, há as questões das postagens de execução de procedimentos que não são permitidas pelo Código de Ética. As publicidades devem ser retiradas do perfil”, afirmou Franck Morais, fiscal do CRO-ES.


Os fiscais da Vigilância Sanitária não deram entrevista. O órgão informou que a empresa foi notificada para utilizar materiais descartáveis ou contratar uma empresa especializada para esterilização dos instrumentos.


A Vigilância afirmou ainda que a clínica possui licença sanitária desde 2022 e que o pedido de renovação do alvará segue em análise.

Investigação aponta imperícia e atuação fora das regras

Ferimentos na paciente Júlia
Ferimentos faciais em uma das três pacientes que denunciaram o caso Reprodução

O relatório final da Polícia Civil, concluído em abril deste ano, aponta que Mariana e Nathan teriam agido com imprudência e imperícia na realização de procedimentos de minilifting facial em pacientes.


Segundo a investigação, as cirurgias teriam sido realizadas sem exames pré-operatórios, sem avaliação de risco cirúrgico e sem estrutura adequada para lidar com complicações.


“As vítimas relataram que, após os procedimentos, passaram a apresentar complicações como abertura de pontos (deiscência de sutura), secreção purulenta, dor intensa, sangramento persistente e necessidade de atendimento médico externo”, aponta o relatório policial.


O inquérito concluiu pelo indiciamento dos dois por três crimes de lesão corporal culposa em concurso material, um para cada paciente investigada.

A investigação também aponta que o procedimento realizado extrapolaria os limites permitidos para profissionais especializados apenas em harmonização orofacial. 

Especialidade não existe no ES

Mariana afirmou à polícia possuir especialização em harmonização orofacial e ortodontia e defendeu que o minilifting faz parte da atuação odontológica. O Conselho Regional de Odontologia, no entanto, sustenta que cirurgias estéticas faciais mais invasivas exigem habilitação específica reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).


Em março deste ano, o CFO reconheceu oficialmente a cirurgia estética orofacial como especialidade odontológica.


Segundo o Conselho Federal, dos cerca de 469 mil dentistas registrados no Brasil, apenas 107 possuem esse registro específico. O CRO-ES informou ainda que não há profissionais com essa habilitação no Espírito Santo. 


"Ele tem que ser especialista em cirurgia estética da face, que é um curso, é uma especialização com 3 mil horas de carga horária. Ou ele precisa ser especialista em cirurgia bucomaxilofacial e especialista em harmonização orofacial. Ambas as especialidades registradas no Conselho Federal de Odontologia e com três anos de registro efetivo”, informou o Conselho.


No inquérito, Nathan afirmou que atua com Mariana há cerca de seis anos. Segundo o CRO-ES, ele possui registro como cirurgião-dentista há menos de três anos e especialização em harmonização orofacial há menos de um ano.

Defesa acionou a Justiça contra reportagens

Na madrugada desta quarta-feira, cerca de 30 minutos após a meia-noite, a defesa de Mariana e Nathan acionou a Justiça pedindo a retirada e readequação de reportagens da TV Gazeta, do g1 Espírito Santo e do site A Gazeta.


Segundo os advogados, os conteúdos teriam extrapolado os limites da informação jornalística. A juíza plantonista, Telmelita Guimarães Alves, negou a exclusão das reportagens, mas determinou alterações em títulos e conteúdos, além da inserção de uma nota definida pelo Judiciário e da remoção de vídeos e publicações nas redes sociais.


Na tarde desta quarta-feira, o departamento jurídico da Rede Gazeta acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a decisão viola a liberdade de imprensa e representa interferência indevida no trabalho jornalístico.


Segundo a empresa, a decisão contraria entendimento consolidado do próprio STF de que a Constituição garante posição preferencial à liberdade de imprensa e impede censura prévia.


O processo foi distribuído ao ministro Flávio Dino.

O que diz a defesa

A defesa de Mariana e Nathan Laranja foi procurada novamente nesta quarta-feira, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. Confira abaixo a íntegra da nota enviada a reportagem anteriormente: 

"O Instituto Laranja, por meio de sua responsável técnica, Dra. Mariana Barros Laranja Roeder, vem a público prestar esclarecimentos acerca das informações recentemente divulgadas envolvendo procedimentos estéticos faciais realizados na clínica.

Inicialmente, é importante esclarecer que a Dra. Mariana é cirurgiã-dentista regularmente inscrita no Conselho Regional de Odontologia, com formação, especializações e atuação consolidada na área de Harmonização Orofacial, exercendo suas atividades há anos de forma pública, técnica e profissional, inclusive com participação em cursos, mentorias e capacitações nacionais e internacionais.

Os procedimentos mencionados nas recentes divulgações ocorreram dentro de contexto profissional regularmente exercido, em cenário normativo que, à época dos fatos, encontrava-se em ampla discussão técnica e jurídica em todo o país quanto à atuação odontológica em procedimentos estéticos faciais.

Importante destacar que o próprio Conselho Federal de Odontologia editou posteriormente a Resolução CFO n.º 286/2026, reconhecendo formalmente a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica, inclusive contemplando procedimentos estéticos faciais específicos dentro da atuação do cirurgião-dentista habilitado".

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