O que é, o que é…
Um monte de meninos de suspensórios cantando à beira da calçada: “Getúlio Vargas, o povo do Brasil te espera, te ama, te adora e te venera”.
Isso no ano da graça de 1955. Eu me lembro, muito vagamente, do pessoal lá de casa cantando.
Na mesma época, o povo também cantarolava, acompanhados por Nelson Gonçalves, a seguinte marchinha contra: “O Brasil tem muito doutor. Muito funcionário, muita professora. Se eu fosse o Getúlio, eu mandava metade dessa gente pra lavoura. Mandava muita loura plantar cenoura, muito bonitão plantar feijão. E essa turma da mamata eu mandava plantar batata”.
Quem disse que meninos com 9 anos, minha idade na época, não se metiam em política? Aliás, campeava na América do Sul, em sete países, o absurdo de manter, mesmo em democracia, o obrigatóriedade do voto.
Millôr Fernandes já dizia que o ser humano é inviável. Deve ser isso.
O Brasil teve oportunidade de demonstrar o amor à natureza recentemente, promovendo a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém do Pará. Ao mesmo tempo, desde a primeira COP, em Berlim, Alemanha, em 1995, os governos vêm carregando a falsa proposta de diminuir a poluição, que é reconhecidamente insustentável no mundo. Sempre foi farsa em cima de farsa.
Todas essas falsetas foram executadas no Brasil com voto popular iludido. É como se o povo nunca se responsabilizasse pelas suas próprias necessidades fundamentais ou que não tivessem tido chance real de lutar contra a agressão à natureza.
As tragédias ambientais que vêm assolando o mundo revelam o tipo de prevenção ao meio ambiente que se dispensa ao ser humano. Agorinha mesmo, petróleo e gás natural vão jorrar na bacia da Foz do Rio Amazonas, na costa do Amapá.
Aproveito para lembrar o tipo de carícia e proteção dispensados ao maior estado da federação, o Amazonas. Não é por ser manauara, mas é bom denunciar, por exemplo, umas das modalidades de degradação ambiental no estado, o mercúrio utilizado no delito que acaba despejado nos rios, envenenando os peixes e afetando a saúde de comunidades ribeirinhas e indígenas.
Estamos à beira de uma eleição. Pelo andar da carruagem, parece que nem existe tal agressão. Como sempre, o que existe é a preocupação prioritária em alcançar os poderes, dinheiro seja como for e, no fundo no fundo, ninguém tá nem aí para a preservação do meio ambiente.
Neste exato instante, a natureza, por si só, sem precisar de conferência nenhuma, mostra a força que tem, e continuará tendo, em forma de desastres que afetam violentamente a vida, como é fácil constatar. Algo precisa ser feito com urgência, a Terra já tocou seu alarme.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, não sabe pra onde correr, mas late mesmo assim.