Nos estudos da geografia da população existe o cálculo demográfico que resulta da diferença do número de nascidos vivos e óbitos registrados em um dado local e determinado ano. Essa equação é complementada pelo saldo migratório, diferença entre os quantitativos de imigrantes e emigrantes nos mesmos recortes espaciais e temporais. Dessa forma é possível identificar o quanto a população de um país, Estado ou município varia de ano a ano.
Por meio das pesquisas censitárias, essas informações são coletadas com maior precisão e detalhamento. Todavia, tais pesquisas geralmente têm uma recorrência de dez anos, por conta de seu elevado custo e por outros motivos metodológicos e operacionais. Vale lembrar que o governo federal protelou de 2020 para 2022 a realização do censo brasileiro. É o maior atraso em mais de cem anos dos censos.
Nos anos intercensitários, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula a variação das populações dos territórios brasileiros a partir de estimativas. Essas são informações relevantes para a elaboração, aprimoramento, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Por exemplo, em tempos de pandemia esses dados são considerados para fazer a distribuição das doses das vacinas contra a Covid-19.
Sobre a pandemia, cabe ressaltar que a base de cálculo das estimativas populacionais do IBGE ainda não está capturando os efeitos das mortes por Covid-19 no território nacional. Isso somente será possível com a realização do censo demográfico, quando a base de cálculo será recalibrada e a série histórica será interpolada e retro interpolada. Logo, os dados divulgados em 2021 provavelmente estão sobrestimados.
A divisão proporcional de repasses financeiros é outro exemplo de utilização das estimativas populacionais para balizar políticas públicas. O Tribunal de Contas da União (TCU) toma como referência as estimativas populacionais para realizar os repasses do Fundo de Participação Estadual (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
De acordo com a recente divulgação do IBGE, em 2021 a população brasileira chegou a mais de 213 milhões de habitantes, registrando um acréscimo de 1,5 milhões de habitantes em relação a 2020, o que representa um aumento de 0,74%. A população do Espírito Santo aumentou de 4.064.052 pessoas residentes em 2020 para 4.108.508 habitantes, apresentando um acréscimo de 44 mil pessoas, ou seja, elevação de 1,09%.
A população do Espírito Santo cresce em ritmo superior à média nacional. A condição diferenciada de qualidade de vida e equilíbrio econômico-financeiro do Estado provavelmente explique essa tendência.
O Estado apresenta indicadores favoráveis à qualidade de vida, como por exemplo a menor taxa de mortalidade infantil e a segunda maior longevidade entre os Estados brasileiros. A taxa de mortalidade infantil do ES é de 7,8 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos. A esperança de vida ao nascer dos capixabas supera os 79 anos.
Além disso, o equilíbrio fiscal e econômico do Espírito Santo, bem como as políticas públicas de desenvolvimento regional sustentável promovidas pelo governo estadual em parceria com os municípios, tem contribuído para atrair empresas para se estabelecer no território capixaba nos últimos anos. Esse movimento favorece o direcionamento de fluxos migratórios de pessoas que buscam oportunidades de emprego e prosperidade econômica.
Nessa perspectiva, o planejamento territorial à luz da política urbanístico-ambiental cumpre um papel central para a promoção de uma expansão e desenvolvimento sustentável das cidades e regiões capixabas.