Diferentemente dos artigos publicados nesta coluna, sendo a grande maioria caracterizados por textos técnico-científicos com apresentação de dados, indicadores e estatísticas, hoje vou me permitir desenvolver uma abordagem mais pessoal, porém com um tema social de grande relevância, a educação.
Em meio às comemorações de mais um aniversário no último dia 30 de março, estava refletindo sobre a minha trajetória de vida. Em diferentes perspectivas, constatei o grande valor da educação e o potencial transformador que exerce em nossas vidas.
Na década de 1980, ainda criança em Guarapari, lembro de meu pai, José Mombrini Lira, conhecido como Zé Lira, me passando um dos mais valiosos ensinamentos intergeracionais. Ele dizia que o valor de presentes e bens materiais se perde com o tempo, porém a educação ninguém tira de você e não se perde.
Sempre que comentava isso, meu pai demonstrava o orgulho dele em garantir as condições básicas para que eu seguisse meus estudos. Minha amada mãe, Dona Bela, dedicava boa parte de seu tempo para me supervisionar nos estudos.
Mesmo sem concluir o primeiro ciclo do ensino fundamental, meus pais reconheciam o poder da educação e não mediram esforços para que os seus cinco filhos estudassem para avançar nos níveis de ensino.
Foi nessa lógica que iniciei meus estudos na educação infantil na escola Ana Rocha Lira, em Guarapari. Depois, estudei o ensino fundamental nos colégios Jesus Menino, Angelica Paixão e Cenecista Roberto Calmon. Concluí o ensino médio no colégio Magister, hoje Maxime.
Na década de 1990, as possibilidades de cursos superiores no Espírito Santo estavam concentradas em Vitória e Vila Velha. Talvez por isso, somente fui tomar conhecimento do que era um vestibular quando iniciei o ensino médio. Além disso, nenhum familiar meu possuía formação de nível superior, o que mantinha essa realidade distante do meu cotidiano.
Quando prestei o vestibular escolhi o curso de Geografia por me encantar com os estudos das populações, dinâmicas urbanas e geoestatísticas. Também, tive excelentes professores dessa ciência, como o saudoso Pedro Lucci (in memoriam), que acabaram por me influenciar nessa escolha especial. Resultado, fui aprovado em Geografia na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Formei em Licenciatura Plena e Bacharelado em Geografia pela Ufes. Já residindo em Vitória e com um pouco de experiência, comecei a perceber as possibilidades que a educação proporcionava. Durante a graduação inscrevi e aprovei um projeto em uma seleção de trabalhos científicos na Universidade de Cergy-Pontoise na região de Paris, França, onde concluí um curso de aperfeiçoamento em Planejamento Urbano.
Quando retornei da França estava inspirado em dar continuidade aos estudos sobre planejamento urbano. Fui aprovado em 1º lugar no processo seletivo para a primeira turma do mestrado de Arquitetura e Urbanismo da Ufes.
Ao finalizar o mestrado, foquei os estudos para concursos, sendo aprovado em alguns editais. Entre esses, optei por ingressar na carreira de Especialista no Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), hoje Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG).
Depois disso, retomei os estudos na Ufes, onde fui aprovado em 1º lugar no processo seletivo da primeira turma do doutorado em Geografia. Já são 24 anos de pesquisas acadêmico-científicas, com publicações de diversos artigos em revistas e livros, como Geografia do Crime e Arquitetura do Medo (editora Letra Capital do Rio de Janeiro). Isso sem falar dos artigos de todas as quartas-feiras nessa nossa coluna super especial em A Gazeta.
Com uma carreira profissional no serviço público estadual com mais de duas décadas, atualmente estou Diretor-Presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Há mais de 15 anos sou Professor da Universidade Vila Velha (UVV), uma das melhores universidades do Brasil, onde estou Coordenador de Pesquisa (foto 2024).
Esses caminhos do saber foram trilhados por conta daquele ensinamento valoroso que recebi dos meus pais que sempre me apoiaram, pela dedicação e inspiração de todos os meus professores e, especialmente, pelo suporte e impulsionamento diário da minha esposa e filho, a Renata e o Bernardo Lira, com quem hoje eu compartilho e semeio a ideia de que a educação é o principal fator de transformação social.