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Análise

Mais quatro cidades capixabas estão na Sudene: o que significa?

A Sudene favorece a atração de empreendimentos e investimentos, porém as prefeituras devem se antecipar na gestão territorial sustentável

Públicado em 

09 jun 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Vista aérea da cidade de Aracruz, no Norte do Espírito Santo
Vista aérea da cidade de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, incluída na Sudene Crédito: Prefeitura de Aracruz/Divulgação
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), uma autarquia do governo federal, foi constituída em 1959 com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais e desconcentrar os investimentos de Estados economicamente dinâmicos. Se caracteriza como um relevante mecanismo de estímulo ao desenvolvimento por proporcionar benefícios fiscais, isenção ou diminuição de tributos, para atrair empreendimentos para os municípios que formam sua região.
Além do enfoque na região Nordeste do país, a atuação da Superintendência também considera parte dos territórios de Minas Gerais e Espírito Santo, que também contam com variadas linhas de financiamento do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Por meio da lei nº 9.690/1998, a porção Norte do Espírito Santo passou a ser considerada área de influência da mencionada autarquia. Foram 27 cidades beneficiadas. Nesse conjunto se destacam ColatinaConceição da BarraLinhares e São Mateus, que nas duas últimas décadas dinamizaram e diversificaram suas economias, consolidando-se como polos regionais de atração de investimentos.
Aracruz apresenta uma dinâmica econômica própria, fundada na produção de papel e celulose pela Suzano, desenvolvimento de navios-sondas e equipamentos para a cadeia de petróleo e gás pelo Estaleiro Jurong, e na prestação de serviços especializados nos segmentos metalmecânico e logístico da Imetame, empresa capixaba de destaque. Isso sem falar das atividades portuárias entre a Barra do Riacho e Barra do Sahy.
O Centro de Aracruz concentra atividades de comércio e serviços. Segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em 2018 o PIB do município foi de R$ 5,29 bilhões. A maior parte desse valor é composta por atividades industriais (53,9%) e comércio e serviços (24,0%).
Os municípios de Itaguaçu (27,5% do PIB de R$ 258,92 milhões), Itarana (14,8% do PIB de R$ 217,70 milhões) e Governador Lindenberg (23,9% do PIB de R$ 207,71 milhões) registram consideráveis atividades econômicas no setor primário. Ao mesmo tempo, apresentam significativa dinâmica no setor terciário: 35,3%, 38,0% e 29,5%, respectivamente.
Esses quatro municípios tendem a ampliar a vantagem competitiva e atrair investimentos e novas empresas, o que contribui para potencializar o crescimento econômico e gerar mais empregos.
É relevante as prefeituras se anteciparem na gestão territorial sustentável. Com a instituição e articulação de instrumentos da política urbanística-ambiental, é possível atrelar desenvolvimento social ao crescimento econômico que está em curso nesses e outros municípios capixabas.

Pablo Lira

É doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves e professor da UVV. Escreve às quartas

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