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Pandemia

Coronavírus: Itália teve que remediar impactos de decisões desastradas

Diferentemente da China, autoridades italianas não direcionaram esforços para a adoção de medidas de prevenção, mitigação e controle da expansão da doença

Publicado em 01 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 abr 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira Pablo Lira
Pessoas usam máscara para se proteger do coronavírus em Milão, na Itália.
Pessoas usam máscara para se proteger do coronavírus em Milão, na Itália. Crédito: Mick De Paola/Unsplash 
Os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) assinalam que o epicentro da crise se deslocou da China para a Europa. Países como a Itália estão enfrentando os impactos do crescimento exponencial de casos registrados e de perdas de vidas humanas.
Até o dia 28 de março a China computava 81 mil casos confirmados e 3 mil mortes provocadas pela Covid-19, evidenciando uma taxa de letalidade de 4%. Somente a província de Hubei, onde a epidemia do novo coronavírus se iniciou, foi responsável por 82% dos pacientes confirmados e 96% das pessoas que evoluíram ao óbito na China. A curva epidemiológica daquele país se encontra em platô, ou seja, o número de indivíduos infectados se estabilizou. No referido dia foram registrados 54 novos casos e 3 mortes.
O primeiro caso notificado do novo coronavírus ocorreu em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, capital de Hubei. Apesar de o governo da China ter demorado em reconhecer a gravidade e magnitude do problema, ainda em janeiro uma série de intervenções foram adotadas para conter a expansão da doença. As ações se caracterizaram pelo aumento da capacidade de atendimento e tratamento de pacientes infectados no sistema de saúde e maior rigor nos protocolos de saúde para o isolamento de indivíduos positivos para Covid-19. Também foram implementadas estratégias que reduziram a circulação e aglomeração de pessoas, como a suspensão de aulas presenciais e de serviços de transporte, o fechamento de indústrias e estabelecimentos comerciais. Hubei foi alvo de uma quarentena em massa com o fechamento de suas fronteiras e bloqueio de aeroportos e demais terminais de transporte.
Por conta dessas ações, a China conseguiu controlar a disseminação da Covid-19 para outras províncias e estabilizar a curva epidemiológica. Com a grave crise de saúde pública controlada e milhares de vidas preservadas, o cotidiano e atividades socioeconômicas encontram um ambiente favorável para serem retomados. Após dois meses de quarentena, na última semana, as autoridades começaram suspender as medidas que restringiam o tráfego em várias cidades de Hubei. A cidade de Wuhan ainda permanecerá em quarentena e isolada até o início de abril.
Na Itália, até a data base de comparação deste artigo, 28 de março, tinham sido registrados 92 mil casos e 10 mil mortes pelo novo coronavírus, o que resulta em uma taxa de letalidade por Covid-19 de 11%. Somente naquele dia aproximadamente 6 mil novos casos e 900 mortes foram contabilizados. A curva epidemiológica italiana se mostra em crescimento exponencial.

CASO DA ITÁLIA

O primeiro caso de morte pelo novo coronavírus nesse último país aconteceu no final de janeiro. Diferentemente da China, autoridades italianas não direcionaram esforços para a adoção de medidas de prevenção, mitigação e controle da expansão da doença. Paradoxalmente, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, reconheceu que errou em estimular a campanha “Milão não para”, que foi lançada para estimular a população a continuar as atividades econômicas e sociais. Atualmente, Milão é a província italiana mais atingida pela pandemia. Responde por mais de 33% dos casos confirmados e 40% das mortes computadas naquela nação. Várias províncias italianas seguiram o mesmo posicionamento e hoje estão enfrentando sérios problemas.
A Itália está tendo que remediar impactos ocasionados por tomadas de decisões desastrosas e irresponsáveis de seus governantes. Com mais de 10 mil mortes pela Covid-19, os italianos estão sendo forçados a adotarem tardiamente medidas para mitigar os impactos da pandemia na saúde pública, economia e sociedade.

Pablo Lira

Pablo Lira Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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