Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Brasil

As (in)confidências de Bolsonaro para se perpetuar no poder

Diferentemente dos inconfidentes mineiros, Bolsonaro confessa e sobrepõe seus interesses particulares e de seus familiares aos interesses coletivos dos brasileiros, para viabilizar seu projeto de poder acima de tudo e de todos

Públicado em 

21 abr 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

O presidente Jair Bolsonaro
Em vários momentos vimos o presidente, sob a alegação de que “é sangue do meu sangue”, fazer valer as vontades e birras de seus filhos contra militares de alta patente que integram seu governo Crédito: Isac Nóbrega/PR
Neste 21 de abril relembramos a luta de Joaquim José da Silva Xavier em libertar o povo da exploração da coroa portuguesa. Durante o século XVIII, na época do Brasil colônia, na capitania de Minas Gerais, Joaquim José da Silva Xavier desempenhou várias profissões, dentre elas a de dentista amador. Por conta disso, ficou conhecido como Tiradentes.
Além de dentista amador, ao longo de sua vida ele também desempenhou atividades como mercador ambulante (mascate), tropeiro e minerador. Joaquim José não era um intelectual propriamente dito. Mesmo assim, sob a influência de ideais iluministas, Tiradentes defendia os interesses de liberdade e de coletividade do povo se opondo aos abusos, exploração e truculência dos mandatários e forças reais da coroa portuguesa.
Como os livros de História nos ensinam, o movimento dos inconfidentes mineiros foi desmantelado pela traição e confissão de José Silvério dos Reis. Tiradentes foi morto em 21 de abril de 1792. Mesmo depois de sua morte, seus ideais permanecem vivos alimentando a chama pela liberdade e independência do Brasil.
Dando um salto de mais de 200 anos na História, chegamos no Brasil atual, onde o presidente Bolsonaro trama descaradamente colocar em prática um plano de perpetuação no poder. Diferentemente dos inconfidentes mineiros, Bolsonaro confessa e sobrepõe seus interesses particulares e de seus familiares aos interesses coletivos dos brasileiros. Os movimentos do presidente, mais que confessos, são para viabilizar seu projeto de poder acima de tudo e de todos. Somente não enxerga isso quem não quer ver ou está em um nível lamentável de alienação.
Em vários momentos vimos o presidente, sob a alegação de que “é sangue do meu sangue”, fazer valer as vontades e birras de seus filhos contra militares de alta patente que integram seu governo. Mesmo sem razão, Bolsonaro prefere “defender” seus filhos do que ouvir os posicionamentos de generais, como o próprio vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Além desse recorrente comportamento de sobrepor os interesses de seus familiares em detrimento dos interesses coletivos do país, Bolsonaro, com sua postura autoritária, já confidenciou seus obscuros interesses em se perpetuar no poder. As estratégias e interesses pessoais de Bolsonaro foram explicitadas na famosa reunião ministerial de abril de 2020, quando ele declarou com todas as letras que quer “todo mundo armado” no país. As mais de trinta medidas que desde 2019 flexibilizam o acesso às armas de fogo confidenciam isso.
Na sequência, no episódio da invasão do congresso norte-americano, que foi estimulado pelo irresponsável Donald Trump, o presidente brasileiro declarou, em tom de ameaça, que se em 2022 não tiver voto impresso a situação será pior no Brasil. Isso é o anúncio sobre o possível caos que os brasileiros podem presenciar no próximo ano.
É muito importante que as instituições democráticas brasileiras atuem no sistema de freios e contrapesos para inibir o avanço desse plano que fere os princípios de liberdade, igualdade, da república e da democracia brasileira. Que nesse 21 de abril os brasileiros possam refletir sobre esses riscos.

Pablo Lira

É doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves e professor da UVV. Escreve às quartas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Ex e atual de mulher são presos após tiros e invasão em Castelo
Imagem de destaque
Adolescente foge com viatura da PM durante abordagem em Aracruz
Imagem de destaque
7 receitas práticas com frango para a Páscoa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados