Se na política já se formou o consenso de que vamos ter uma batalha acirrada, onde o “vale tudo”, que aliás já está em curso, tenderá a prevalecer, no campo da economia, para quem esperava antever horizontes mais claros, também não se vislumbra espaço para otimismo. Em suma, vamos ter um semestre com fortes emoções, mas cujos impactos e consequências serão efetivamente sentidos em anos subsequentes.
Na economia, por exemplo, percepções, expectativas e mesmo evidências já apontam que não vamos ter a repetição do primeiro semestre, com reações positivas. Porém, nada que possamos tomar como consistentemente duradouras. Ao contrário, demonstrando, isto sim, serem mais de natureza transitórias e sem fôlego suficiente para se sustentarem num horizonte de tempo mais longo.
Nossa economia se encontra num estado letárgico, em outras palavras, anêmico, com força sinérgica praticamente esgotada que tem como origem causal, e de fundo, o que podemos caracterizar como “estado de desconfiança” em relação ao que possa vir pela frente. Um estado que se externaliza por uma demanda agregada geral comprometida, portanto, limitada sobretudo pela renda geral disponível das famílias.
Benefícios adicionais que possam vir a ser adotados, como o auxílio caminhoneiro e aumento do valor do Auxílio Brasil para R$ 600, podem até oferecer uma trégua no arrefecimento da demanda, mas muito provavelmente não se revelarão capazes de causar impactos significativos.
Isso, por razões mais que óbvias, entre as quais a inflação e o limitado alcance das tais benefícios, que no caso do Auxílio Brasil atende hoje cerca de 18 milhões de famílias, enquanto no caso do auxílio emergencial foram atendidas 64 mil pessoas recebendo os mesmo 600 reais. Daí o fato de o impacto ter sido maior, inclusive politicamente, no caso do auxílio emergencial.
Por outro lado, a necessidade de manutenção da taxa de juros básica em patamares elevados, além de motivar o rentismo, ou seja, aplicações no mercado financeiro, tenderá a reduzir as expectativas do setor produtivo, desmotivando novos investimentos. E aqui vale lembrar que a adoção de política de juro alto para conter a inflação em condições de demanda efetiva enfraquecida tende a alongar o prazo de seu esperado efeito, que pode chegar ao prazo de 18 meses. Ou seja, vamos ter pela frente ainda uma longa estrada a percorrer para chegarmos a patamares mais palatáveis de inflação.
Portanto, que nos preparemos para um semestre de grandes emoções!