A pandemia da Covid-19 está provocando uma série de transformações para além das implicações de natureza humanitária e de enormes esforços e sacrifícios impostos aos profissionais e sistema de saúde. A extensão de desafios atingem também setores e instituições que estão em busca de soluções curativas e preventivas ao vírus em escala global.
Da mesma forma, negócios, num sentido amplo, se defrontam com circunstâncias até então inusitadas e cenários de incertezas. E é nesse cenário que podemos vislumbrar, por exemplo, mudanças no comportamento e hábitos dos consumidores, caracterizando-os como em processo de transição.
É até provável que essas mudanças passem de situação de transitoriedade para algo mais permanente, se é que podemos falar em perenidade na atual circunstância. Parece-nos mais razoável que não teremos mais o permanente, pelo menos na normalidade que conhecemos, ou este se limitará a passagens sucessivas do que já vem convencionando denominar de “novo normal”. Mas o certo é que no campo do consumo, que de certa forma também direciona a produção de bens e serviços, vem sofrendo fortes mudanças.
E essas mudanças se originam ou têm como fonte de causalidade dois fatores centrais: a redução da massa geral da renda disponível e as restrições de mobilidade e, consequentemente, de acessibilidade a bens e serviços. Os dois fatores, que são consequências imediatas da pandemia, têm levado consumidores, em praticamente todos os países, com algumas especificidades, a alterarem seus comportamentos em relação às compras. De um lado, reduzindo-as; de outro limitando-as ao considerado como essencial, em especial alimentos e produtos para a casa. Mas também estão mudando formas e locais de compra.
A Mckinsey & Company, em pesquisa bem atual sobre os impactos da Covid-19, chegou a aferir que no mundo cerca de 60% das pessoas mudaram seus hábitos de compra. E um dos principais fatores dessas mudanças, segundo a mesma pesquisa, tem ocorrido devido à perda de renda, com destaque, nesse aspecto, para o Brasil, onde aproximadamente 73% disseram estar nessa condição.
Outro resultado diz respeito à fidelidade dos consumidores às marcas e a locais de compra: não são mais tão fieis como antes. Constatações que devem estar nos radares de quem opera na ponta do consumo.