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Colunista de A Gazeta Orlando e mestre em ciencias politicas e faz analises diarias do cenario politico capixaba

Má gestão ambiental também deixa a economia brasileira vulnerável

A forma como lidamos com o meio ambiente pode prejudicar nossas relações comerciais com o mundo

Publicado em 26/09/2019 às 10h20
Incêndios atingem matas no Brasil. Crédito: Corpo de Bombeiros/SC
Incêndios atingem matas no Brasil. Crédito: Corpo de Bombeiros/SC

O Brasil está hoje sob os holofotes do mundo mais pela má gestão do problema das queimadas na Amazônia do que pelas próprias queimadas em si. A mensagem e imagem passadas para o mundo, e até para quem aqui vive, podem repercutir num horizonte de tempo.

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Ou seja, este fato deixa de ser percebido apenas como um episódico esporádico, passando a ser visto e avaliado como parte de uma narrativa que poderá conduzir o país a desfechos indesejáveis.

Estamos falando aqui do risco adicional que o Brasil poderá incorrer, especialmente nas suas relações comerciais e de negócios com o resto do mundo, por conta do imbróglio que vem sendo construído em torno da questão ambiental. Aliás, esse risco já se mostra precificado.

É o que podemos denominar de risco ambiental, que se soma ao já tradicional risco Brasil, este refletindo principalmente variáveis econômicas, fiscais e políticas, entre outras.

Esse novo risco normalmente é precificado por meio dos custos das transações econômicas externas, seja elas de natureza financeira ou econômica, como nas trocas de mercadorias e serviços. Como também poderá vir sob a forma de obstáculos, dificuldades ou atritos adicionais nas negociações de acordos comerciais internacionais.

É difícil imaginar, por exemplo, que as negociações que envolvem o Acordo de Livre Comércio do Mercosul com a União Europeia, que já se encontra em curso de validação, não seja afetado de alguma forma. É previsível que as negociações possam ser bem mais travadas, demoradas, portanto, com o consequente retardamento de seus potenciais benefícios para o Brasil.

Já podemos identificar sinais claros vindos do mercado global de que o ambiente externo já nos coloca não somente no radar de preocupações, mas sobretudo sob o crivo de “compliances” - normas – cada vez mais centrados na questão da sustentabilidade ambiental.

Está a comprovar isso a carta aberta divulgada no dia 18 deste mês por um grupo composto de 230 fundos internacionais de investimentos, responsável pela aplicação US$ 16,2 trilhões. Na carta, explicitam grande preocupação com o desmatamento e incêndios na Amazônia, mas também sinalizam para possíveis revisões nas suas estratégias de financiamento de projetos no Brasil, principalmente no agronegócio.

Na mesma linha, 130 bancos de vários países, inclusive o Itaú e o Bradesco, mais recentemente, também fizeram questão de expressar posição pública em favor do que denominaram de “pacto ambiental”.

E pelo que podemos captar a partir do conteúdo e teor da fala do presidente Bolsonaro na ONU, esse risco adicional persistirá ou mesmo poderá ser ampliado. Ao invés de aliviar, acabou colocando mais “lenha na fogueira”. Poderemos até apagar o fogo interno. No entanto, o externo, agora, vai ser bem mais difícil e demorado.

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