A economia brasileira parece viver num estado de estresse permanente nos últimos anos, deixando também estressados cidadãos em geral, empresários, instituições públicas e privadas, governantes e representantes políticos. Melhor seria admitirmos ser esse apenas um estado transitório, que embora um tanto quanto conturbado, principalmente neste momento, poderia resultar em um cenário mais amigável e alvissareiro à frente. Afinal, o que mais se espera e se deseja é que a economia se recomponha e cresça. Até então, porém, não é essa a sinalização mais crível.
A questão é que a cada dia ou mesmo a cada instante - pois as coisas acontecem com rapidez crescente -, somos surpreendidos com acontecimentos inesperados, como foi o caso da decisão do presidente Bolsonaro de revogar o reajuste do diesel. Como diz o ditado popular, “gato escaldado tem medo de água fria”. Ou seja, o mercado, escaldado com o que já havia acontecido no desastroso governo Dilma, reagiu com toda a força, com o “fígado”, fazendo diminuir em cerca de R$ 32 bilhões o valor da Petrobras em apenas um dia.
Uma perda bem significativa e que poderá ser estancada ou transformada em sangria recorrente no caixa da Petrobras. Tudo dependerá da fórmula que será adotada pelo governo na administração do imbróglio entre a estatal e o mercado, mas, sobretudo, de como resolverá a complexa equação do diesel junto aos caminhoneiros.
O grande legado do episódio em si, e este naturalmente fortemente negativo, situa-se no campo do simbolismo. Fato que deve ser visto como agravante, pois, ao passar a integrar o imaginário do mercado, e aqui estamos falando preponderantemente de investidores, mas com reflexos nos consumidores, torna este mesmo mercado mais volátil, mais reativo. Ou seja, mais estressado. Numa referência a Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia e autor do livro “Rápido e Devagar”, ativa-se o sistema um da memória, a memória menos racional e mais emocional. E é onde mora o perigo!
Se é que ainda podemos crer que este governo que está aí possa avançar numa linha mais liberal, que é pelo menos a direção apontada pela equipe econômica, capitaneada pelo ministro Paulo Guedes, o episódio pode se transformar virar uma limonada. Não seria este um bom momento para se repensar e remodelar o mercado de combustíveis no país, hoje sob monopólio da Petrobras?
Sabemos que cerca de 50% do preço do diesel, por exemplo, é composto pelo petróleo em si; o restante é composto por impostos, chegando a até 25% somente no caso do ICMS, conforme o Estado, e outros componentes, muitas vezes poucos transparentes.