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É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Efeitos de transbordamentos de fronteiras na economia capixaba

Nos últimos 50 anos, a economia do Sul capixaba, notadamente representada pela região Central Sul, sofreu um processo contínuo de “desidratação”

Publicado em 24/07/2021 às 02h00
Cidade de Cachoeiro de Itapemirim
Cachoeiro de Itapemirim: região Sul foi responsável por cerca de 13% da produção de riquezas do Estado em 1970. Em 2018, essa participação caiu para 6%. Crédito: PMCI/Divulgação

A dinâmica econômica regional capixaba, em especial quando nos referimos às regiões mais interioranas, foi de alguma forma influenciada pelos desempenhos das economias fronteiriças com os Estados vizinhos. Com destaque para a macrorregião Sul, que tem centralidade em Cachoeiro de Itapemirim, cujo histórico da formação econômica e social teve, principalmente no passado mais longínquo, uma ligação com a economia fluminense.

Se bem observarmos, nos últimos 50 anos a economia do Sul capixaba, notadamente representada pela região Central Sul, sofreu um processo contínuo de “desidratação”. Foi responsável por cerca de 13% da produção de riquezas do Estado em 1970. Em 2018, essa participação caiu para 6%. Uma queda realmente drástica, principalmente considerando-se que a população aumentou em participação.

No meu entender, dois fatores relevantes podem ter contribuído para a confirmação dessa trajetória. O primeiro deles diz respeito, ou melhor, estaria atrelado à reconfiguração da economia estadual sob o comando do setor industrial exportador, e sob a lógica predominantemente metropolitana. Basta lembrar que a economia metropolitana aumentou sua participação de 55% em 1970, que já indicava concentração elevada, para cerca de 64% em 2004.

Se a lógica metropolitana prevaleceu até a metade da primeira década do século 21, na sequência temporal, ao que nos parece, toma espaço a lógica do transbordamento na fronteira Sul. Só que no sentido negativo. Ou seja, a queda do dinamismo da economia fluminense, em especial da sua parte Norte, fez arrefecer a demanda por bens e serviços produzidos na porção Sul do território capixaba.

Esta mesma lógica de transbordamento, também no sentido negativo, vamos encontrar nas áreas fronteiriças com Minas Gerais. As regiões Noroeste e Centro Oeste, centradas respectivamente em Nova Venécia e Colatina, repercutem, assim, os baixos desempenhos das regiões que lhes são conexas.

Da mesma forma podemos tratar a nossa região de fronteira com a Bahia, a região Nordeste, centrada em São Mateus. Ali, notadamente a ponta Sul do Estado da Bahia se conecta mais com o Espírito Santo do que com a metrópole baiana. Como o dinamismo lá também se arrefeceu, transbordou seus efeitos do lado de cá.

Esse mecanismo de transbordamento foi adequadamente tratado nos Planos de Desenvolvimento ES 2025 e no ES 2030, do governo estadual. Daí decorre a importância de se trabalhar políticas integradas e sincronizadas de desenvolvimento nos dois lados das fronteiras.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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