A dinâmica econômica regional capixaba, em especial quando nos referimos às regiões mais interioranas, foi de alguma forma influenciada pelos desempenhos das economias fronteiriças com os Estados vizinhos. Com destaque para a macrorregião Sul, que tem centralidade em Cachoeiro de Itapemirim, cujo histórico da formação econômica e social teve, principalmente no passado mais longínquo, uma ligação com a economia fluminense.
Se bem observarmos, nos últimos 50 anos a economia do Sul capixaba, notadamente representada pela região Central Sul, sofreu um processo contínuo de “desidratação”. Foi responsável por cerca de 13% da produção de riquezas do Estado em 1970. Em 2018, essa participação caiu para 6%. Uma queda realmente drástica, principalmente considerando-se que a população aumentou em participação.
No meu entender, dois fatores relevantes podem ter contribuído para a confirmação dessa trajetória. O primeiro deles diz respeito, ou melhor, estaria atrelado à reconfiguração da economia estadual sob o comando do setor industrial exportador, e sob a lógica predominantemente metropolitana. Basta lembrar que a economia metropolitana aumentou sua participação de 55% em 1970, que já indicava concentração elevada, para cerca de 64% em 2004.
Se a lógica metropolitana prevaleceu até a metade da primeira década do século 21, na sequência temporal, ao que nos parece, toma espaço a lógica do transbordamento na fronteira Sul. Só que no sentido negativo. Ou seja, a queda do dinamismo da economia fluminense, em especial da sua parte Norte, fez arrefecer a demanda por bens e serviços produzidos na porção Sul do território capixaba.
Esta mesma lógica de transbordamento, também no sentido negativo, vamos encontrar nas áreas fronteiriças com Minas Gerais. As regiões Noroeste e Centro Oeste, centradas respectivamente em Nova Venécia e Colatina, repercutem, assim, os baixos desempenhos das regiões que lhes são conexas.
Da mesma forma podemos tratar a nossa região de fronteira com a Bahia, a região Nordeste, centrada em São Mateus. Ali, notadamente a ponta Sul do Estado da Bahia se conecta mais com o Espírito Santo do que com a metrópole baiana. Como o dinamismo lá também se arrefeceu, transbordou seus efeitos do lado de cá.
Esse mecanismo de transbordamento foi adequadamente tratado nos Planos de Desenvolvimento ES 2025 e no ES 2030, do governo estadual. Daí decorre a importância de se trabalhar políticas integradas e sincronizadas de desenvolvimento nos dois lados das fronteiras.