Nesta semana que se finda, mais precisamente no dia 13, comemorou-se o Dia do Economista. É razoável supor-se que a maioria das pessoas veem na figura do economista um profissional que tem no seu campo de atuação questões que dizem respeito apenas o domínio da economia, especificamente ao comportamento econômico. E se entendemos que o comportamento econômico acontece necessariamente num contexto de relações sociais, de diferentes amplitudes, é claro, o campo de atuação do economista vai além da sua profissão específica. E é onde se pode diferenciá-lo.
A visibilidade ou a exposição de um economista na sociedade tende a ser maior em períodos de crise do que em momentos de bonança econômica. Isso talvez porque em períodos de crescimento não seja tão sedutor investigar as causalidades do sucesso. E no caso de situações de crise, principalmente aquelas mais agudas, este profissional normalmente é mais exposto a questionamentos por razões que podem ser até extremadas.
De um lado, pela possibilidade deste ser visto como artífice ou defensor de políticas que, de alguma forma, geraram ou aprofundaram a própria crise: causador da crise. De outro, por desafios que lhe são postos no sentido de formular políticas para a solução da própria crise.
Na década de 1980, por exemplo, referindo-me ao caso do Brasil, o que mais instigava a maioria dos economistas dizia respeito ao problema da previsibilidade da inflação. Era tarefa fácil prever que a inflação do período seguinte seria sempre maior do que a do período antecedente. O problema era a hiperinflação. Dezenas de iniciativas foram tentadas na solução daquele problema, sem sucesso. A solução somente veio, e de forma engenhosa, com o Plano Real em 1994.
A crise global iniciada em 2007 nos Estados Unidos com o estouro da bolha imobiliária, e que se disseminou no mundo em 2008, atingindo o Brasil em 2009, sem dúvida, expõe-nos fragilidades e “gaps” de conhecimentos e avanços teóricos que possam melhor identificar com maior clareza evidências e sinalizadores de potenciais crises. E, da mesma forma, de suas soluções. Tanto soa como verdade que atualmente os economistas vêm demonstrando não ter nem mais tanto “medo” de Keynes, o artífice da solução da grande depressão mundial na década de 1930.
Não seria, então, em período de plena pandemia, com fortes impactos nas economias, o momento propício para o exercício da criatividade e da produção de conhecimentos aplicáveis em soluções mais assertivas e duradouras para a economia? Eis, portanto, novos desafios a se imporem, sobretudo para os economistas, mas não somente a eles.