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Orlando Caliman

Brasil caminha firme e forte rumo à pior década de sua história

Reformas são cruciais e necessárias, mas o país precisa de narrativas que agreguem forças para realizá-las

Publicado em 28 de Março de 2019 às 01:37

Públicado em 

28 mar 2019 às 01:37
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Gráfico em queda Crédito: Reprodução | Internet
A década de 1980 passou a ser considerada a década perdida pelo fraco desempenho da economia. E não foi sem razão, pois se compararmos com os anos anteriores, desde o início do século XX, e também com a primeira década do século XXI, teve os piores resultados. Afinal, a economia, envolta em colossal turbilhão inflacionário e crises espasmódicas intercaladas por inúmeros planos frustrados de estabilização e de tentativas de recuperação, resumiu seu desempenho em míseros 1,6% anuais. Cifra irrisória se comparada com a observada na década anterior, com um crescimento médio anual de 8,6%.
Num exercício de imaginação de retorno ao passado, assumindo como exemplo o ano de 2010 como ponto de referência, com certeza não estaríamos projetando mais uma década perdida pela frente. Mas naquele momento não se antevia nenhuma perspectiva de desastre.
A segunda década do século XXI, entre os anos de 2011 e 2020, no entanto, ficará registrada na história econômica do país como a pior década dos últimos 120 anos, desbancando assim a década de 1980. Hoje, aos “trancos e barrancos”, chegaremos a uma média anual, para a década, de 0,9% de crescimento da economia. Isso só não ocorreria caso um verdadeiro milagre acontecesse e fizesse com que a economia crescesse em média 5,7% nesses dois anos de fechamento. Acontecimento simplesmente inimaginável diante dos cenários de turbulências e incertezas que se desenham no momento.
Nunca é por demais repetitivo reiterar que essa nossa maior crise dos últimos 120 anos tem causalidades internas. Não foi o mundo que levou o país à situação na qual se encontra. Constatação esta que nos impõe a necessidade de buscar internamente soluções e caminhos que conduzam o país à normalidade política, social e econômica. Mas, para isso, o país precisa atacar os fundamentos das causalidades que nos escancaram a década já perdida: economia sem rumo, ainda no embalo da desastrosa “Nova Matriz Econômica”, e desenfreado déficit público.
A prévia do PIB relativa ao mês de janeiro não deixa dúvidas quanto à dimensão do estado de fragilidade da economia. A queda de 0,4% já sinaliza para mais um ano difícil e antecipa um clima de frustração que começa a ser precificado pela Bolsa de Valores. Mas o mercado anda mesmo atordoado. Reformas são cruciais e necessárias, porém, o país precisa mesmo de narrativas que agreguem e não dispersem forças e esforços. Do contrário, estaremos construindo condições para mais uma década perdida. Vale como alerta!

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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