Ao que tudo indica e pelos cenários que se desenham, teremos um bom ano para o Espírito Santo, com destaque para a economia. E é natural que com ela os resultados se revertam em melhoria geral para a população capixaba, que ainda se encontra abalada pela crise, até mais do que o resto do país.
Diferentemente da maioria dos Estados, aqui as coisas se apresentam mais organizadas e com um horizonte de previsibilidade, com um ambiente para negócios mais atraentes.
A economia capixaba, por limitações territoriais, mas sobretudo pelo seu diminuto mercado interno, foi forçada a buscar em outros mercados fontes de seu crescimento e desenvolvimento. Estratégia que foi intensificada principalmente a partir da década de 1970 com os grandes projetos industriais.
Caminho que tem colocado o nosso Espírito Santo, em termos proporcionais, no topo da lista dos Estados mais abertos economicamente. Isso tanto em relação ao mercado internacional, quanto nacional. Foi assim que nos tornamos uma verdadeira plataforma de oferta.
Só que, como bem caracterizou Antônio Carlos de Medeiros no seu artigo do último domingo, neste mesmo espaço de A GAZETA – “O Futuro da Política” -, essa plataforma de oferta mostra-se hoje fortemente concentrada na exportação de commodities tipicamente globais. Fato que também nos coloca na condição de dependência dos grandes mercados consumidores, sobretudo o chinês e o americano.
Por outro lado, internamente essa condição também nos impõe uma “desautonomia relativa”, expressão cunhada pelo próprio Medeiros em sua dissertação de mestrado, para mostrar a relativa perda de autonomia do Estado capixaba na formulação e execução de sua política de desenvolvimento.
É essa plataforma que nos garantirá um crescimento razoável em 2019. Porém, estaremos sujeitos às constantes ameaças de humor dos grandes mercados compradores de commodities: minério, aço, celulose e petróleo. Esse bloco é responsável diretamente por cerca de um terço do nosso Produto Interno Bruto (PIB).
Essa condição, que em certos momentos mostra-se como nossa fortaleza, mas em outros como nossa fragilidade, nos aponta para a necessidade de diversificar a oferta de produtos, tornando-a mais complexa por meio do desenvolvimento tecnológico e da inovação. Usando conceitos desenvolvidos por Ricardo Hausmann, da Harvard Kennedy School, devemos pautar nossa política de desenvolvimento da economia com mais “personbytes” e menos “ubiquidade”. Isso significa agregar e integrar mais conhecimentos e inovações, produzindo produtos menos comuns.