Acredito que, neste momento, o desejo que une todos os brasileiros é ver a economia deslanchar e começar a fechar o imenso buraco provocado pela longa e profunda crise. É na economia e através dela que vamos encontrar as respostas que aproximem esse desejo da realidade. Mas isso não sem o enfrentamento de alguns dilemas e barreiras.
Os dilemas, se atentarmos para o que significam, pressupõem confrontá-los, em certos casos, com diferentes e até conflitantes estratégias ou rotas de saída para a crise. Pressupõem, portanto, escolhas diante de várias opções possíveis, tendo em vista alguns esperados resultados.
E quando, especificamente, estamos lidando com economia, essas escolhas, para bem ou para mal, vêm sempre respaldadas de evidências empíricas. Portanto, em leituras de experiências. O problema é que essas leituras, inclusive expressas por matizes ideológicas diferentes, podem ser feitas por vários olhares antagônicos, assim como há previsões de resultados díspares.
Analisando a origem dessa longa crise, da qual ainda não saímos totalmente, vamos ver que ela decorreu de escolhas equivocadas feitas ainda no segundo mandato de Lula, mas que ganhou mais forma no período Dilma. A começar pela escolha do gasto público, que acabou gerando um monstruoso déficit nas finanças da União e, consequentemente, insustentável endividamento interno.
Outra escolha foi apostar demasiadamente no componente consumo das famílias, pela via do crédito fácil, sem cuidar dos investimentos, numa perspectiva de longo prazo.
Agora, o país tem que se preocupar em não fazer escolhas erradas diante dos já conhecidos dilemas.
É sabido, por exemplo, que uma política de redução do gasto público, extremamente necessária no momento, porém ainda não suficiente, terá impacto negativo na demanda efetiva e, portanto, na dinâmica geral da economia. Isso significa dizer que os impactos das reformas direcionadas a reduzir o déficit público, como a reforma da Previdência e outras, de imediato, ou seja, no curto prazo, provocarão mais impactos negativos do que positivos do ponto de vista da retomada da economia.
No entanto, terão um papel fundamental na formação de boas expectativas no longo prazo. Abrem caminho para o futuro, e são capazes de animar e alavancar uma retomada mais sustentada.
Resta ao novo governo a tarefa, convenhamos extremamente difícil e delicada, de fazer e sustentar escolhas que, mesmo na perspectiva de sacrifícios no curto prazo, possam contribuir para consolidar um crescimento mais sólido e sustentado no futuro.