ASSINE
Foi secretário estadual de segurança pública e comandante geral da polícia militar. É especialista em Segurança Pública pela UFES. Neste espaço, produz reflexões sobre políticas públicas para garantir a segurança da população

Gestão da segurança pública requer entrosamento

Novos prefeitos não devem transferir a problemática da violência apenas para o governo estadual, devem atuar como protagonistas justamente na melhoria dos indicadores sociais

Publicado em 28/12/2020 às 05h00
Data: 24/01/2019 - ES - Vitória - Polícia Militar usa drones para monitorar morros de Vitória - Editoria: Polícia - Foto: Fernando Madeira - NA
Polícia Militar usa drones para monitorar morros de Vitória. Crédito: Fernando Madeira

Em 2020, os homicídios no Espírito Santo voltaram a crescer. A trajetória de redução foi descontinuada com o aumento do número absoluto de homicídios em nosso Estado. Segurança Pública é um tema complexo, em que quaisquer esforços apressados e desprovidos de planejamento, invariavelmente, dão origem a retrocessos.

É preciso retomar o foco, avançar com a metodologia e compreender a relevância da continuidade de boas práticas. Para reverter essa tendência de aumento no número de homicídios, o modelo de gestão deve mirar nos resultados a serem alcançados e mover diligentemente “eixos estratégicos” como a fundamental integração das Polícias Civil e Militar, o aumento na resolutividade dos inquéritos que investigam crimes letais intencionais, o monitoramento e avaliação sistemática e por regiões dos indicadores criminais e de performance policial, e o fortalecimento das instituições policiais em suas áreas de formação, instrução continuada, infraestrutura, tecnologia e inteligência policial.

Outro eixo estratégico que deve ser movido com prioridade é a articulação e promoção de uma rede de oportunidades de educação, de cursos de capacitação profissional, de empreendedorismo e de renda para jovens, aumentando o percentual de meninos e meninas estudando em tempo integral e trabalhando, com foco nos territórios historicamente marcados pela violência urbana.

Cabe apontar que, para os eixos de gestão na segurança pública se movimentarem sincronicamente, é indispensável a integração dos esforços de todas as instituições envolvidas, sem exceção. O Estado, o município, o Poder Judiciário, o Ministério Público, o sistema prisional e a sociedade civil organizada formam uma poderosa engrenagem que deve operar como um time bem entrosado, comprometido e que faça prevalecer a força do coletivo.

Outra lição que não pode ser esquecida é que a eclosão da violência depende também do ambiente social em que convivemos. Portanto, os novos prefeitos e suas equipes não devem transferir a problemática da violência apenas para o governo estadual, devem atuar na segurança pública como protagonistas justamente no ambiente social, propiciando uma educação básica de qualidade para todos e desenvolvendo políticas públicas de infra-estrutura dos espaços urbanos.

Para que a taxa de homicídios volte a reduzir é preciso clareza no diagnóstico e rapidez nas decisões, do contrário corremos o risco de perder o controle da situação. É necessário firmar o rumo e retomar a redução da violência com trabalho integrado das instituições envolvidas na política de segurança, dos órgãos responsáveis pelas políticas sociais, sobretudo aquelas voltadas para os jovens em situação de vulnerabilidade, e da sociedade civil.

Precisamos desses resultados para viver em paz, e é por óbvio que a maior de todas as atitudes dos gestores é trabalhar de forma obstinada para que nossos jovens não desistam do futuro.

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.