Em meio à crise econômica e sanitária, o Congresso Nacional aprovou o aumento de verbas públicas destinadas ao fundo eleitoral 2022, de R$ 1,8 bilhão para R$ 5,7 bilhões, um aumento de 375%. O valor será destinado ao financiamento de campanhas políticas. Toda essa verba é fruto do trabalho dos pagadores de impostos. Mais de 200 milhões de brasileiros arcarão com essa conta. Estudo do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com dados de 35 nações, revela que o Brasil é o país que mais envia dinheiro público para partidos e campanhas políticas no mundo.
Para tentar explicar o injustificável, os políticos que aprovaram e usam esses recursos argumentam que o fundo eleitoral combate o poder econômico. Não é verdade! Ao contrário, o fundo vindo de dinheiro público serve para perpetuar a permanência daqueles que já estão no poder. Esse dinheiro se concentra nas mãos dos donos dos partidos, dos caciques eleitorais, que fazem a distribuição conforme seus interesses. O uso de verba pública, que privilegia os políticos eleitos, dificulta a alternância e fragiliza a democracia.
Nesse momento histórico dramático, diante a maior crise sanitária, social e econômica do século, com mais de 14 milhões de desempregados, é um deboche com todos os brasileiros aumentar e usar dinheiro público para financiamento de campanhas eleitorais. Essa é a prioridade?
O Brasil se aproxima das 600 mil vidas perdidas na pandemia, e está longe de universalizar a vacinação. Nossas escolas ficaram fechadas por quase dois anos, comprometendo o futuro de toda uma geração de jovens de baixa renda. A atenção primária à saúde ainda carece de fortalecimento para se tornar resolutiva e acessível.
Na segurança pública o Brasil é o país com o maior número de homicídios do planeta e apenas 15% dos assassinatos são esclarecidos. Nosso país nem sequer possui um banco de dados integrados para registro de inquéritos criminais, com informações balísticas de armas utilizadas em crimes.
Ou seja, temos muitos problemas e não faltam prioridades essenciais para que o Congresso gaste suas energias na busca de soluções eficientes. Caminhos que ao invés de atender seus interesses políticos pessoais, superlotando os cofres dos partidos políticos, destinassem verbas para uma diversidade de programas e projetos de interesse da população, com grande retorno social.
É uma absoluta ausência de vergonha dos senadores e deputados federais, em um momento como este, com vidas sendo perdidas, com famílias inteiras perdendo sua única fonte de renda, com a educação, saúde e segurança pública precisando de dinheiro, aprovarem essa farra eleitoral usando dinheiro do cidadão.
Usar dinheiro público em campanha leva ao desvio de verbas para caixa 2, aumento de candidaturas laranjas, compra de votos, financiamento de rede de mentiras e uso do dinheiro público em troca de favores políticos, além de dificultar a renovação.
A população deve abrir os olhos e não se deixar enganar pelos caros programas políticos de TV, com altos custos de produção, cheios de efeitos especiais, pelos bandeiraços, pelos trios elétricos, pelas mentiras impulsionadas nas redes sociais, tudo isso bancado por dinheiro público que deveria estar sendo empregado no auxílio emergencial, educação, saúde, segurança pública e saneamento básico.
O Congresso visitou o fundo do poço moral para aprovar o aumento desse insultuoso fundão eleitoral que suga recursos do contribuinte sem entregar nada em troca, senão mais desvios, desperdícios e favorecimentos. Aqueles que votaram pela aprovação devem acreditar que o Brasil não possui inteligência coletiva para perceber tamanho acinte. Esse tapa na cara merece uma bela resposta das urnas em 2022. Basta acompanhar como votam nossos senadores e deputados nessa questão.