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Foi secretário estadual de segurança pública e comandante geral da polícia militar. É especialista em Segurança Pública pela UFES. Neste espaço, produz reflexões sobre políticas públicas para garantir a segurança da população

A nascente da violência está na falta de gestão na educação pública

A baixa qualidade da educação pública em nosso país atinge, em cheio, a segurança pública e a produtividade em nossa economia

Publicado em 01/03/2021 às 02h03
Sede do Ministério da Educação, em Brasília
Sede do Ministério da Educação, em Brasília. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Abraham Lincoln, ex-presidente dos Estados Unidos, certa vez declarou que “o objetivo de um bom governo é elevar a condição dos homens para permitir um começo a todos e uma chance justa na corrida da vida”. Uma educação básica de qualidade para todos é a condição para uma chance justa, que beneficia indivíduos e sociedade como um todo, que alavanca a formação do capital humano, gerando a tão pretendida segurança e produtividade.

Paul Krugman, prêmio Nobel da Economia, afirmou que “a produtividade não é tudo; é quase tudo”. A produtividade, que é a capacidade de produzir mais com os mesmos recursos, é a principal fonte do crescimento econômico. Nos países desenvolvidos, ela é a responsável por cerca de 80% da taxa de expansão do PIB.

A baixa qualidade da educação pública em nosso país atinge, em cheio, a segurança pública e a produtividade em nossa economia. É preciso, com urgência, eliminar a distância entre o brasileiro que tem acesso à instrução de qualidade e o brasileiro que nasce numa família pobre, em que a possibilidade de ascender à outra posição socioeconômica é quase nula.

Nossas crianças, todas elas, independente do endereço, são o capital humano do amanhã. Quais qualificações desenvolverão na busca por um emprego? A falta dessas qualificações traz a reboque desesperança e baixa produtividade. No Brasil, a produtividade da mão de obra equivale a apenas 18% daquela do trabalhador norte-americano.

As nossas periferias, com jovens que não estudam nem trabalham, cooptados pelo crime, revelam a tragédia da ineficiência na gestão da educação pública. A pobreza tem muitas causas, mas a principal é a falta de acesso das novas gerações à educação básica de qualidade. Não cuidar das novas gerações é um desastre!

A produtividade no Brasil está estagnada desde a década de 1970 e a educação pública de má qualidade é a origem dessa baixa produtividade no trabalho. Estamos falhando na formação do capital humano. A responsabilidade disso não está na falta de dinheiro, está na falta da boa gestão. Apesar do considerável aumento dos gastos em educação, que dobraram nos últimos 20 anos, a melhoria da qualidade não acompanhou esse incremento.

É só ver a posição do Brasil nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), a mais importante avaliação comparativa de educação no mundo. O Brasil não figura nem mesmo entre os primeiros 50 países nas habilidades avaliadas.

Práticas da velha política, como as indicações pessoais para cargos de direção nas escolas e para cargos de gestão nas secretarias de Educação são apontadas como umas das causas. Precisamos de gente especializada, que tenham disposição e disponham de conhecimento técnico para trabalhar. Esperamos que os novos prefeitos deem um ponto final nas indicações que ocorrem para atender interesses políticos de grupos que querem se perpetuar no poder. Elas comprometem a produtividade de nossa economia e acabam colaborando para a desesperança dos nossos jovens. Aí está a nascente da violência!

Uma sociedade produtiva e mais segura começa pela educação. Para reduzir os indicadores criminais e explorar seu gigantesco potencial de desenvolvimento o Brasil, obrigatoriamente, terá que dar um salto de qualidade na educação, só assim vamos passar a produzir o remédio contra a violência, que já tem nome: capital humano.

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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