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É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

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"A dúvida e a incerteza podem ser vistos como portais para novas possibilidades"

Publicado em 17/04/2020 às 17h00
Atualizado em 17/04/2020 às 17h00
"Porque olhar o possível é respirar tão profundo que o comando da mente retorna a si mesmo: e você se torna consciente". Crédito: Pixabay

Guia. Imagina que você começou uma subida. A subida de uma montanha de trilha estreita, com fachos de luz vindos do alto, atravessando como podem as copas das árvores, seus troncos e galhos. E o caminho é sonoro, feito do som constante dos pássaros delicados e, de quando em quando, inúmeras araras zunindo metálico; e da respiração intensa, ofegante; e das folhas e galhos se quebrando por debaixo dos pés caminhando montanha a cima – sendo quatro, os seus e os do guia.

Contratado na base, usando o critério da sintonia, bastou um olhar e “vamos”.

Para essa subida, que é um desafio escolhido em nome da sobrevivência da alma, é preciso ter um guia – dizem. Ou quase todos dizem. Somente um ou outro, classificado entre herói e louco, alcançam o pico sem a presença de ‘um outro’ mais sabido.

E lá vão eles, orientados pela experiência e alimentados pela força –– um quer conquistar; o outro quer os frutos da conquista. Pisando forte, usando as pernas, o fôlego e a sabedoria – porque essa montanha de que falo possui encruzilhadas decisivas, os dois avançam. Mas o caminho em si, é simples. Apenas pode tornar-se mais longo ou mais curto, dependendo de por onde se caminha. O único risco realmente conhecido são os outros seres que habitam a mata.

Agora imagina que de repente, sem qualquer aviso, o guia desaparece. Exatamente num trecho onde você estava andando na frente, ágil, seguro e tagarelando sobre a vida, o silêncio se fez. Você olha pra traz e... cadê o guia?

Sumiu.

Você agora está sozinho. Sozinho para escolher entre ficar esperando ele aparecer de volta, e virar potencial janta de onça – porque segundo reza a lenda, quando a noite cai, é preciso ter alcançado a Clareira do Mirante, onde a fogueira que se monta é a única garantia. Ou, seguir sozinho. Sentindo, intuindo o melhor caminho.

E agora? Como sobreviver sem o guia? Sem aquele que disse que sabe? Como se livrar do medo, para conseguir pensar com clareza? Ou melhor, como se deixar intuir? Abrir espaço para o novo em si mesmo? Como reconhecer que o corpo e seus sentidos são uma bússola? Como se entregar para o sentimento de confiança? Como deixar a vivacidade tornar-se a guia?

Desapegar desse que dizia saber, mas saiu da cena, é acionar o novo. É tornar-se vivo de forma instantânea, como quem desperta de um sono. E este dar-se conta da corda bamba, tanto pode gerar o medo e o desespero, julgamentos precoces, que certamente o farão cair da corda; quanto acionar o campo da potencialidade pura... Ampliação.

Ampliar, desse modo que digo, é acionar até a possibilidade de sentir uma alegria (!) que vem com a consciência de que o novo vai chegar. Perceba, não é mais o sabido. O esperado. O ansiado. Mas o novo! E o novo virá. O novo caminho.

A dúvida e a incerteza podem ser vistas como portais para novas possibilidades. Depende de nós fazer bom uso dessa matéria prima do agora, que esculpe o amanhã. Oxigenar... Negociar com a ansiedade, se reequilibrar, reajustar e escolher ser vivo!

Porque olhar o possível é respirar tão profundo que o comando da mente retorna a si mesmo: e você se torna consciente.

Consciente... O que significa isso? Não é o que você fala, nem é o que você sente, julga ou pensa.

Toma essa verdade: consciência é vivacidade.

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