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Crônica de amor

E certos sonhares são inesquecíveis, feito massagem com óleo quente. É, amar amolece a gente

Publicado em 10 de Janeiro de 2021 às 05:00

Públicado em 

10 jan 2021 às 05:00
Maria Sanz

Colunista

Maria Sanz

Casal de araras
Há o amor de araras, lindo, eterno, monogâmico por natureza, uma ode ao companheirismo. Voando lado a lado, criando filhotes, cuidando juntos, do mesmo ninho Crédito: Freepik
“Alguns pressentem a chuva. Outros se contentam em se molhar”, Henry Miller.
Que será o amor se não um profundo mergulho na generosidade de si?
Um dar de braçadas em claras águas, mornas pela graça da causa.
Sonho colorido, tão raro quanto bonito... E certos sonhares são inesquecíveis, feito massagem com óleo quente. É, amar amolece a gente.
Mas o amor não é exclusivo nem excludente. Ao contrário: toda forma de amor é emoliente.
Há o amor de araras, lindo, eterno, monogâmico por natureza, uma ode ao companheirismo. Desejo-par-colorido. Voando lado a lado, criando filhotes, cuidando juntos, do mesmo ninho.
E na mesma prateleira, contudo, existe outra opção, desenvolvida pela mesma mão (natureza) que desenhou a primeira: solitude. Solitude com plena satisfação, ou amor-próprio em estado de multiplicação. Prazer em estar consigo, fluindo... Ora voando solo, noutras acompanhado, e em outras ainda, completamente misturado – e mesmo assim, sem nunca se perder de si.
(Respiro)
Que será amar se não a impossibilidade de desviar?
“Eros”. Força de magneto, seta de prata apontada pra dentro, caldo escorrendo, erupção de coxas, quatro tempos.
Amar não é escolha, nem mandamento. Ao contrário: é a poderosa mística da vida se exibindo.
Claro, tentamos a todo custo dar conta do mistério. Mas somos meros, somos quaisquer e queremos sorrir (e comer, e dançar, e sorrir o máximo possível).
Pensando bem, eis o problema: somos mais humanos do que a gente pensa! Porque os quadris têm vontades plenas. Absolutas são as línguas, e as íris, ferocíssimas.
Verdade é que sabemos de menos... (Ainda bem). Mergulhar na própria consciência pode significar afogamento... Narcisos, nascemos cheios de graças e poderes sobres os quais jamais teremos conhecimento.
"Mergulhar na própria consciência pode significar afogamento... Narcisos, nascemos cheios de graças e poderes sobres os quais jamais teremos conhecimento"
Maria Sanz - Cronista
Então, que será, será!
Sem nunca perder de vista que o amor é uma frequência – a mais alta que existe. E por isso não é possível segurá-la com as mãos. Aliás, a única experiência possível é mesmo senti-la... No corpo, na casa, nos Chakras, nos poros, no coração. Depois agradecer, cultivar, emanar, irradiar, compartilhar, expandir e se sintonizar, enfim.
Perceba, quando estamos vibrando no amor, seja o fraternal, profundo, espiritual; seja o carnal, envolvente, passional; seja como for, o universo nos ouve claramente, nos entende, e surpreendentemente, nos atende.
(De modo que quando tem amor envolvido, o que será – será bem-vindo.)
“O amor sempre vence no fim”. (Então, pra quê resistir?)
Deixa acontecer, deixa vir, potente, emoliente, misterioso, como deve ser.
Mas não tente compreender o que possa haver escondido... Além de raro e colorido, ele nunca falha em ser incrível.
Eu sei, você pode estar pensando que falar de amor é chover no molhado, mas eu tenho certeza, Deus fez a gente foi pra isso.

Maria Sanz

É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

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