Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Impeachment

Pandemia e demissão de Moro afetam resultado de maneira não trivial

Foram escândalos que deflagraram a demissão de Moro, um dos esteios da coalizão que levou Bolsonaro à vitória

Publicado em 27 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 abr 2020 às 05:00
Marcus André Melo

Colunista

Marcus André Melo Marcus André Melo
Rompimento entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro
Rompimento entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro Crédito: A Gazeta
A probabilidade de deflagração de impeachment é alta na presença de quatro fatores: escândalos, manifestações de rua, crises econômicas e presidentes com base parlamentar minoritária. Esses elementos estão presentes, mas a pandemia e a demissão de Moro afetam o resultado final de maneira não-trivial. Senão vejamos.
Foram escândalos que deflagraram a demissão de Moro, um dos esteios da coalizão que levou Bolsonaro à vitória. Aqui não há surpresas: havia incompatibilidade dinâmica entre sua permanência e as ligações perigosas da família presidencial.
Há, de fato, protestos, mas as condições para a ação coletiva massiva são mínimas dadas as medidas de distanciamento social, malgrado a repercussão robusta dos panelaços.
Além disso, o presidente conta com apoio forte de cerca de 1/5 da população e detém alguma capacidade de mobilização. O apoio difuso atingia pouco mais de metade da população, mas deverá se reduzir de forma vertiginosa dado a fratura da coalizão. Ainda assim, o núcleo duro poderá prover algum escudo protetor.
A crise econômica poderá atingir proporções bíblicas. Mas a sequência importa: a crise sanitária será concentrada nos próximos meses, a econômica incidirá com violência depois, se estendendo por alguns anos. A estratégia de transferir a culpa para governadores e a bazuca fiscal do governo terão efeitos mitigadores sobretudo nos setores de baixa renda beneficiários de transferências. As fortes perdas de apoio nos estratos médios e empresariado devido à fratura da coalizão correspondem a algum ganho naqueles setores.
Finalmente, no Congresso o presidente não conta com uma base parlamentar de apoio, mas os custos de coordenação com o Congresso funcionando de forma virtual são muito elevados. Ademais, mobilização na rua e no Congresso não são substitutos, mas complementos: se as ruas estão desertas, o Congresso responderá às redes e aos panelaços?
O impeachment não é uma revolução, mas a destituição de um presidente cujo desenlace é a assunção do vice. Haverá apoio congressual para deflagrá-lo apenas quando uma supermaioria parlamentar preferir a alternativa representada pelo vice- presidente ao status quo.
Para setores da esquerda, o inimigo não é mais Bolsonaro, e sim Moro, que se agigantou politicamente. Antes lhes interessava deixá-lo sangrar, mas agora Bolsonaro é carta fora do baralho. O impeachment poderá interessar a esses setores para atacar Moro.
O impeachment competirá, no entanto, na agenda pública com a crise sanitária. A janela para o impeachment criada pela demissão de Moro ocorre às vésperas do pico do flagelo, o que a enfraquece. Ou a inviabiliza.

Marcus André Melo

Marcus André Melo Marcus André Melo

É professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante da Universidade de Yale.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Viaturas da Polícia Civil, PC
Mulher é presa em laboratório de cultivo de skunk em Cariacica
Caíque Verli, repórter da TV Gazeta, faleceu aos 33 anos.
Quem era Caíque Verli, repórter da TV Gazeta encontrado morto em Vitória
Imagem de destaque
Os benefícios surpreendentes de dançar 5 minutos por dia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados