Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Novo coronavírus

O Brasil da pandemia redime a ficção científica

Em tempos de distanciamento social, alguma histeria e muito oportunismo, a literatura, mesmo a descompromissada, é bem melhor do que assistir ao presidente e ao seu entorno disfuncional

Publicado em 19 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

19 abr 2020 às 05:00
Marcos Lisboa

Colunista

Marcos Lisboa

Isaac Asimov, autor de ficção científica
Isaac Asimov, renomado autor de ficção científica Crédito: Reprodução
praga atual convida alguns a sugerir romances admiráveis, como "A Peste", de Albert Camus, "O Deserto dos Tártaros", de Dino Buzzati, ou "À Espera dos Bárbaros", de J. M. Coetzee, que ecoa o poema homônimo de Konstantinos Kaváfis. Não se espere nada tão sofisticado desta coluna. São tempos de miudezas em meio ao desastre conduzido por um presidente que parece não saber o que faz.
"O Sol Desvelado" é o segundo livro da trilogia de Isaac Asimov sobre um policial precipitado e atrapalhado, ainda que bem-intencionado. Um romance ligeiro de banca de jornal. A Terra estava sufocada por excesso de gente havia muito tempo, o que levara alguns a imigrar para outros planetas. Algo compreensível, afinal, a balbúrdia da aglomeração e dos conflitos pode ser insuportável.
O surpreendente é tão raro na vida quanto nos folhetins, e, já em meados do século passado, a possibilidade de máquinas substituírem o trabalho humano era tema corriqueiro.
Os terráqueos, conflagrados pelo excesso de gente, rejeitavam os robôs. Os colonizadores de planetas, no entanto, os adotavam para cuidar dos afazeres mundanos e proibiam novos imigrantes.
O planeta Solaria foi o último a ser colonizado, levando ao extremo a opção de utilizar robôs e evitar a proximidade social. As pessoas moravam a centenas de quilômetros de distância umas das outras e se falavam por meio de videoconferências tão impecáveis que parecem estar lado a lado. Para elas, era insuportável compartilhar fisicamente o mesmo ambiente.
Naquele mundo de violência improvável, no entanto, houve um assassinato. Para investigar o crime, nada melhor do que convidar um terráqueo, que convive com gente e sabe das suas vilezas. A parte divertida do livro é o contraste entre o detetive gregário de uma Terra atrasada e o mundo com as tecnologias mais modernas que rejeita a proximidade humana.
Em tempos de distanciamento social, alguma histeria e muito oportunismo, a literatura, mesmo a descompromissada, é bem melhor do que assistir ao presidente e ao seu entorno disfuncional. A sociedade testemunha, abismada, a gestão atabalhoada de um governo que não entende a diferença entre ciência e pensamento mágico.
O Brasil atual redime a ficção científica e transforma qualquer Asimov em Shakespeare.
A calamidade empilha suas vítimas. Alguns perdem o emprego e temem pela família em dificuldades. Outros perdem a vida e são enterrados sem a despedida próxima das pessoas queridas.
A dor em demasia torna compreensível perder a paciência com a insensatez dos despreparados.

Marcos Lisboa

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 28/04/2026
Heliponto da Rodoviária de Vitória
Heliponto da Rodoviária de Vitória é reativado para pousos noturnos do Notaer
Imagem de destaque
Por que o Spotify não tem um botão para filtrar música feita por IA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados