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É presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005). Escreve aos domingos

ES fez o certo na greve da PM: a resposta à chantagem é sempre dizer não

Recentemente, o novo governador de Minas Gerais sucumbiu à pressão da Polícia Militar e concedeu um reajuste salarial de 41,7%. Vale mencionar que se trata de Estado em grave crise fiscal

Publicado em 23/02/2020 às 06h00
Atualizado em 23/02/2020 às 06h01
Familiares de policiais militares, durante a paralisação de 2017. Crédito: Arquivo/Gazeta Online
Familiares de policiais militares, durante a paralisação de 2017. Crédito: Arquivo/Gazeta Online

Não faz tanto tempo assim. Em fevereiro de 2017, a segurança pública do Estado do Espírito Santo colapsou. A Polícia Militar entrou em greve branca na tentativa de obter aumentos salariais.

A Constituição proíbe a PM de fazer greve, mas os policiais alegavam não poder trabalhar em razão da manifestação de seus parentes que se postavam na porta dos quartéis.

O resultado foi o caos. A população descobriu-se refém da polícia grevista e dos bandidos oportunistas. O número de homicídios dobrou naquele fatídico mês de 2017.

O movimento escolheu cuidadosamente o momento da chantagem. Poucos dias antes, o governador Paulo Hartung se internara para realizar uma complicada operação para tratar um câncer.

Desde 2015, o Estado iniciara um duro ajuste fiscal e não concedera reajustes salariais para os servidores. Havia uma crise severa no país, agravada, no caso do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, pela queda dos royalties do petróleo.

"Só quem cuida das contas públicas pode cuidar das pessoas", dizia Hartung. Seu bom senso foi de pouca valia.

A greve iniciou uma crise de segurança pública e o fez interromper seu tratamento de saúde e declarar que não iria ceder à chantagem. Enquanto isso, o Rio de Janeiro não suportou a pressão e concedeu aumentos salariais para os policiais.

Foram semanas difíceis no Espírito Santo, mas, ao fim, a truculência foi vencida. A greve terminou e líderes do movimento foram presos.

O Estado manteve a agenda fiscal em simultâneo à melhora dos serviços públicos.

O Espírito Santo, ao contrário do Rio de Janeiro, continuou a pagar as suas contas em dia e, nos anos seguintes, obteve alguns dos melhores indicadores em educação e em saúde do país.

O CASO DE MINAS GERAIS

Recentemente, o novo governador de Minas Gerais sucumbiu à pressão da Polícia Militar e concedeu um reajuste salarial de 41,7%. Vale mencionar que se trata de Estado em grave crise fiscal, que paga com dificuldade os salários dos seus servidores, graças a liminares concedidas pelo STF que interromperam o pagamento da sua dívida com a União.

O resultado foi fogo em palha seca. Se um Estado alquebrado concede reajustes dessa magnitude aos seus servidores, por que não fazem o mesmo os que estão com as contas em ordem?

O descalabro de Minas Gerais iniciou um movimento generalizado no resto do país. O caos chegou, inclusive, ao Espírito Santo, onde o sucessor de Hartung no governo anistiou os policiais processados pela greve desumana.

Poucos apoiaram o Espírito Santo em 2017 e muitos atribuíram o confronto à opção do governador por não negociar. Não entenderam que a resposta à chantagem é dizer não.

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