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É economista e cronista. Neste espaço, aos sábados, dedica-se a crônicas que dialogam com a memória recente do Espírito Santo, da cultura à política, sem deixar de alfinetar os acontecimentos da atualidade locais e nacionais

Olhe bem ao seu redor: quem pode ser considerado normal?

Nosso mundo anda apinhado de gente esquisita. Gente fora do prumo. Uma população que eu ando chamando de “amarelo piscante”

Publicado em 18/07/2020 às 10h00
Atualizado em 18/07/2020 às 10h00
Alerta: o sinal está amarelo
Manja o sinal de alerta do semáforo? Nem pare e nem corra?. Crédito: Pixabay

Olhe bem para as pessoas que gravitam à sua volta. Amigos, parentes, vizinhos... eles parecem pessoas normais? Nada de passar a mão na cabeça de quem você gosta. Caia na real, esse nosso mundo anda apinhado de gente esquisita. Gente fora do prumo, détraqué. Uma população que eu ando chamando de “amarelo piscante”. Manja o sinal de alerta do semáforo? Nem pare e nem corra? Pois é, essas figuras estranhas são assim. Dirigem pela vida sem trocar de marcha. Sempre acelerando e batendo pino.

A verdade é que na linha de montagem dos seres racionais sempre fica faltando uma porca, uma solda, um arrebite. E, de montão, sobra uma lanterna, um para-brisa, uma maçaneta. Ou você acha que os milhares de leitores que abrem os jornais e fuçam suas redes sociais atrás do bate-boca diário do tal do Pedro Scooby e da Luana Piovani tiram 10 numa avaliação psicológica? Acha mesmo?

E o que me dizem da performance matinal da Ana Maria Braga? A chefe loura entra na cozinha vestida para jantar fora. Cheia de brincos, anéis, pulseiras e um papagaio. As mangas compridas costumeiras estão sempre desabando sobre o palco. Quer dizer, sobre o fogão. Ah,sim... e ela não abre mãos das luvas, que o ensopadinho é coisa fina. Normalzinha a Ana? Então tá...

Quem tem filhos sabe muito bem como funciona a novela para a escolha do nome do bebê que vai nascer. Nas famílias mais tranquilas, o nome da criança já está resolvido antes mesmo da gravidez. Mas na maioria delas, quando não se dá uma batalha campal – ainda que surda – entre as sogras, a cada semana a futura mamãe tem uma nova ideia. Vasculham a internet atrás de sugestões e perguntam às amigas o que acham desse ou daquele nome. Depois do nome finalmente escolhido, vem a parte mais difícil de resolver: quantos ípsilons, quantos tês, quantos zês... um Deus nos acuda.

Todo esse tour de force para ainda no berçário começar a chamar o recém-nascido de Cris, Rafa, Leo, Iza, Sô, Lili, Tetê... rebatizados, ali na hora, pela própria mãe, depois de se exaurir em pesquisas. Mães são esquisitas? Esquisitíssimas. Lembre-se que elas jamais se cansam de passar a mão na cabeça do filho malcriado.Todo dia, toda hora, sempre. É sabido que filho feio não tem pai. Mas mãe ele tem sempre e de plantão. Seja num governo Dilma ou até mesmo sob uma Regência Trina. Vamos, admita, eu sei que você adora a sua mãe, mas que elas são esquisitas, ah... são!

Mas fazer o quê? Aprendi a conviver, da melhor maneira possível, com essa humanidade esquisitoide, apesar de me sentir uma canoa havaiana num mar de sargaços. Outro dia, uma amiga me ligou – ela é super gente fina, em que pese seus leves traços de esquisitice. Papo vai, papo vem e então me perguntou se não sinto falta do Bar do Brega.

Gosto do Brega, respondi, mas hoje em dia o que realmente me faz falta é poder sentar num bar e um chato (e os chatos são invencíveis, como se sabe) puxar a cadeira, agarrar no meu braço e ficar falando merda até chegar a hora de ir pra casa. Ah...quantas saudades!

Minha amiga ficou muda por instantes e sua voz me pareceu sincera quando voltou a falar: “Para de ser esquisito, Marcos...”.

Eu, esquisito? Era só o que me faltava.

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