Não é porque a aposentadoria tirou o relógio de ponto da minha sala que vou abrir os braços para todo tipo de informação. De informações científicas até as gaiatices de gente sem nada melhor para fazer. Gente que busca meu voto para eleger a maior mentira, a gargalhada mais escandalosa (Fafá de Belém e Sabrina Sato empatadas). Ô gente enjoada! Tenho mais com que me preocupar. Com a minha caligrafia, por exemplo. Anos a fio só digitando tem deixado minha letra em petição de miséria. Acho que vou encarar, mais uma vez, um caderno de caligrafia vertical. Deixa só eu tomar coragem.
Assim como essas, outras indagações tentam me arrastar para pautas que não me interessam nem um pouco. Outro dia, numa mercearia, uma senhora me perguntou por que laranjas, limões, bananas e quiabos, que eram vendidos por dúzia, agora são comercializados a quilo. Sei lá eu... nas bancas de frutas e verduras o assunto do dia é a chegada da nova safra do mamão papaya. Valeu esperar por ela.
Se você também boceja diante de assuntos que não fazem a sua vida melhor, bate aqui. Por exemplo, eu não voo de parapente, não surfo, não remo e nem salto de paraquedas. Pra que saber então que ventos do quadrante norte sopram hoje com intensidade moderada? Não tenho curiosidade alguma sobre o que acontece lá pelas bandas daquele quadrante. E nem me interessa saber se o vento que sopra aqui é o vento que vem de lá. Para mim, o vento nordeste e o vento sul já bastam.
A verdade é que as autoridades responsáveis por aferir e divulgar o comportamento dos fenômenos climáticos adoram impressionar a gente. A mim não assustam e nem me consolam. Mas seus boletins enigmáticos são meio intrigantes. Dizer, por exemplo, que “ontem choveu 35mm na região norte do Amapá”, por exemplo. Trinta e cinco milímetros?! Trinta e cinco milímetros é muito? É pouco? Vai saber...
Na época em que Brandao Filho era a grande estrela do humor na Rádio Nacional as informações eram muito mais claras. Em nossas casas dizia-se que “caiu um pé d’água” para traduzir uma chuvarada forte e de curta duração. “Esta noite choveu pra burro”. Tradução: chuva intermitente durante à noite toda. E a precipitação pluviométrica extrema: “O céu veio abaixo”. Tradução: tempestade extremamente forte. Como se vê, água que Deus dá sem precisar de um mísero milímetro pra explicar. E havia também naquela época uma expressão muito usada pelas mães que primavam pelo exagero extremado: “Parecia que o mundo ia se acabar”.
Isso nas famílias educadas, claro. Na voz do pessoal mais desbocado, as expressões eram proibidas para menores. Mas, justiça seja feita, todo mundo sabia, por aqueles palavrões, o que exatamente rolava nos céus da cidade.
Mas esses cientistas não sossegam o rabo. Não sei que importância tem para o nosso dia a dia a informação de que o aumento da temperatura no Oceano Pacífico, registrado no dia de ontem, foi de três graus centígrados. Sobre a temperatura da água na Ilha do Boi, que é bom, boca de siri.
Ainda na faculdade, mirando um livro na biblioteca, fiquei sabendo que as estrelas anãs (??) chegam a pesar 100 toneladas por centímetro cúbico. Uma ameaça de plantão à vida humana. À época, fiquei muito assustado. Mas hoje nem ligo. Ou alguém acha que o nanismo das estrelas com sobrepeso é capaz de babar o nosso fim de semana? É ruim, hein?!