Tenho experimentado momentos terríveis na vida. São situações que vêm atormentando, noite após noite, o meu sono sagrado. Tudo por minha culpa, minha máxima culpa, confesso. Com tanta coisa boa pra ler por aí dei de vasculhar impiedosamente o lado B das mídias sociais. Bem feito pra mim. Mas vamos aos fatos.
Será que alguém consegue pregar os olhos depois de ser bombardeado impiedosamente com o toma-lá-dá-cá das briguinhas do semicasal Luana Piovani e Pedro Scooby? Uma dupla mar-e-terra fundamental pra... pra... sei lá pra quê. O pior é que esse filme de terror, ao que parece, não chega ao the end. E eu, que quase não durmo mais, perdi também o apetite. Não consigo comer nem mais um bago de jaca. Estou no bagaço.
E não é só isso, não. Tem mais nuvens negras sobre a minha cama. Não sei o que vai rolar na Assembleia depois que o novato Sérgio Meneguelli, graças a Deus se recuperando bem de uma delicada cirurgia, bateu pé e pediu permissão à casa para frequentar as sessões vestido com a sua camiseta, feinha, de plantão. A cidade, com aquele pôr do sol de dar inveja, merecia um outdoor mais elegante. Concedido o pleito, não tenho dúvidas de que novas demandas virão. Quando me dou conta de que daqui a pouco teremos festas juninas... só Deus sabe o que poderá rolar. Há dois dias que não durmo preocupado com o repouso do terno e da gravata. Tenho pedido, de joelhos, ajuda ao meu Anjo da Guarda pra ver se consigo dormir.
Mas la nave va... no laguinho do Palácio. Michele Bolsonaro voltou dos Estado Unidos e foram logo lhe perguntando onde foi que ela meteu as moedas do espelho d’agua do Palácio da Alvorada e as carpas dadas pelo imperador do Japão. Eu, nos meus pesadelos, quando consigo dormir um pouco, vejo madame sentada à beira do lago segredando a uma carpazinha: “Perdeu mané, perdeu...” Perdeu o peixinho e o país também. Com Bolsonaro comendo pastel na Flórida, não vamos ter nem uma motociatinha de carnaval pra animar a festa. Confesso que, diante desse “Deus-castiga”, fui obrigado a tomar um Lexotan com um chá de erva cidreira para conseguir dormir.
E você, prezado leitor, consegue pelo menos cochilar sabendo que o senador Do Val garantiu que está batendo bem da bola? Acho melhor esperar mais uns dias. Sei não (aliás, sei sim) hoje ele não está fraco das ideias, quem sabe amanhã ele não estará lé-lé da cuca, depois de amanhã, um tanto desmiolado, e depois... vai saber. De tanto pensar sobre esse problemão, confesso que ontem à noite contei até quinhentos e trinta carneirinhos pra ver se dormia. Vi o sol raiar.
Janja, a primeira dama dos modelitos fora de hora, se assanhou toda com o convite para desfilar neste carnaval como madrinha da Velha Guarda da Imperatriz Leopoldinense. Ela não tem cara de ter samba no pé. Mas deve arrasar com os seus sapatos de grife... Enquanto isso, o marido era aplaudido no mundo inteiro pela sua genial proposta para acabar com a guerra Rússia x Ucrânia. Segundo Lula, a coisa é mais simples do que se pensa: basta juntar Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky e botar aqueles birrentos pra pensar: “Para com isso, cara...” “Porrada não!”, “Deixa essa briga pra lá” “É melhor pra todo mundo...”.
É demais pra mim! Saí da cama e fui fazer um pouco de meditação transcendental. Mentira pura. Fui mesmo é tomar um uísque duplo, com gelo. E liguei a televisão pra me divertir de fato com artistas de verdade.